Frigoríficos de Minas em Alerta: Cota de Carne para China se Aproxima do Fim e Férias Coletivas Podem Ser o Início de Prejuízos - Brasa Noticias

Frigoríficos de Minas em Alerta: Cota de Carne para China se Aproxima do Fim e Férias Coletivas Podem Ser o Início de Prejuízos

Férias Coletivas em Frigoríficos Mineiros Sinalizam Crise na Exportação de Carne para a China

A iminência do esgotamento da cota anual de exportação de carne bovina para a China, sem a incidência de tarifas adicionais, está levando pelo menos dois frigoríficos em Minas Gerais a conceder férias coletivas a seus funcionários a partir de julho. A informação foi divulgada pelo Sindicato das Indústrias de Carnes, Derivados e de Frios de Minas Gerais (Sinduscarne), que expressa preocupação com os possíveis prejuízos para o setor.

A cota estabelecida pela China, anunciada no final de 2025, permite a entrada de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira com uma taxa regular de 12%. No entanto, este volume é considerado insuficiente, visto que o Brasil exportou 1,68 milhão de toneladas para o país asiático somente em 2025, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Após o preenchimento dessa cota, uma sobretaxa de 55% é aplicada ao volume excedente, elevando o imposto total para 67%. Essa alta tarifa compromete severamente a competitividade da carne bovina brasileira no mercado chinês, que é o principal destino das exportações do produto, respondendo por 48% do total.

Ameaça de Sobretaxa e Preparativos do Setor

“Deveremos atingir a cota em julho. Pelo último relatório, estávamos em 60% da cota, mas há muita carne em trânsito”, explicou Pedro Braga, presidente do Sinduscarne. Ele acrescentou que as empresas estão se preparando para reduzir a produção e que, pelo menos dois frigoríficos mineiros, iniciarão férias coletivas. O objetivo é aguardar por cerca de 30 dias por novas atualizações e verificar se a China manterá a cota estabelecida. A demissão de trabalhadores, por enquanto, está descartada.

Ainda que a cota chinesa tenha sido imposta a diversos países, como a Austrália, que recentemente esgotou sua tarifa, o Sinduscarne acredita na possibilidade de um tratamento diferenciado para o Brasil. Argumentos como a alta qualidade e o preço competitivo do produto brasileiro podem levar a uma ampliação do volume livre de sobretaxa ou até mesmo ao seu cancelamento. Para isso, Braga espera que o Brasil, como um parceiro chinês importante, conduza as negociações com seriedade.

O Diário do Comércio buscou contato com o Ministério das Relações Exteriores para obter informações sobre as ações do governo para reverter a situação, mas aguarda retorno. Os maiores impactos financeiros para as indústrias de carne bovina são esperados para agosto e setembro, meses em que a sobretaxa, caso mantida, estará em pleno vigor, afetando diretamente as exportações. A cota chinesa será renovada em outubro, reiniciando a contagem do montante de 1,1 milhão de toneladas com a taxa de 12%.

Impacto no Mercado Interno e Crescimento das Exportações Mineiras

Quanto à possibilidade de queda no preço da carne bovina no mercado interno, o economista Paulo Casaca, da Fundação Ipead/UFMG, considera o cenário pouco provável. Ele explica que, se os exportadores não tivessem previsto a sobretaxa e se preparado para uma demanda que não se concretizará, a queda seria possível. Contudo, como essa situação deve ter sido antecipada, e o mercado para a carne bovina brasileira se expandiu significativamente, a expectativa é que os preços se mantenham estáveis.

No que diz respeito ao desempenho de Minas Gerais, os dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) mostram um crescimento expressivo. Nos primeiros quatro meses deste ano, o estado exportou US$ 213,1 milhões em carne bovina para a China, um aumento de 9,5% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram vendidos US$ 194,6 milhões da proteína para o país asiático. Esse desempenho reforça a importância do mercado chinês para a economia mineira e a preocupação com as atuais restrições impostas pela cota de exportação.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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