IA Turbina Ataques Cibernéticos: Brasil se Torna Novo Alvo de Sequestro de Sistemas e Vazamento de Dados por Criminosos Globais

Brasil na Mira da IA Criminosa: Sequestros de Sistemas e Vazamento de Dados em Ascensão

A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma ferramenta para o bem e se tornou um poderoso motor para atividades criminosas. Grupos mal-intencionados estão utilizando a IA para aprimorar e expandir suas operações, tornando o Brasil um novo alvo proeminente em uma onda crescente de sequestros de sistemas e vazamento de dados.

Essa tecnologia não só acelera a execução de fraudes, mas também supera barreiras linguísticas e possibilita ataques sofisticados que antes eram mais restritos a países como Estados Unidos e nações europeias. Relatórios recentes de empresas de cibersegurança confirmam que o Brasil figura entre os novos alvos preferenciais dessas quadrilhas.

A aplicação da IA por criminosos permite a identificação rápida de vulnerabilidades em sistemas corporativos, a detecção de colaboradores suscetíveis a suborno e a criação de mensagens fraudulentas mais convincentes, adaptadas ao idioma e à cultura local. Conforme informações divulgadas pela Folhapress, essa nova dinâmica tem levado a um aumento expressivo nos ataques cibernéticos contra empresas brasileiras.

IA Generativa Impulsiona Ataques Cibernéticos no Brasil

O uso de IA generativa por grupos criminosos resultou em um impressionante aumento de 89% nos ataques cibernéticos, comparando o primeiro semestre de 2026 com o mesmo período do ano anterior. Essa estatística, apresentada em um relatório da CrowdStrike, destaca o foco da empresa na segurança de grandes companhias, que frequentemente enfrentam sequestros de sistemas e roubo de informações sigilosas.

No Brasil, a IA é empregada especificamente para elaborar comunicações em português que soam autênticas, facilitando o recrutamento de cúmplices locais para as operações criminosas. Jeferson Propheta, vice-presidente no Brasil da CrowdStrike, ressalta essa capacidade de adaptação como um fator crucial para a expansão desses ataques no território nacional.

Crescimento Alarmante de Ataques e Pedidos de Resgate

Após a invasão bem-sucedida das operações digitais de empresas, as quadrilhas cibernéticas utilizam a dark web para publicar pedidos de resgate. Esses pagamentos são geralmente exigidos em criptoativos, uma forma de moeda digital descentralizada e de difícil rastreamento.

Monitoramentos indicam um crescimento na frequência de ataques a empresas brasileiras. Em junho deste ano, o Brasil se posicionou como o terceiro país mais afetado por ransomware, registrando 23 casos, de acordo com dados da plataforma Ransomware.live, da Cohesity. No acumulado de 2026, o país ocupou a quinta colocação, com um total de 123 ataques.

Brasil se Consolida como Alvo Estratégico para Cibercriminosos

Em 2025, o Brasil figurou como o oitavo país mais visado por ataques de ransomware, com 148 ocorrências. Essa posição o coloca atrás de nações como Estados Unidos (3.772), Canadá (376), Alemanha (348), Reino Unido (297), França (187), Itália (178) e Espanha (166).

Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina, avalia que a emergência do Brasil, juntamente com Índia e Tailândia, como novos alvos pode ser reflexo de uma estratégia deliberada. Essa estratégia visa explorar jurisdições com menor maturidade em resposta a incidentes cibernéticos e coordenação com forças de segurança.

Casos Notórios e Orientações para Empresas e Vítimas

O grupo criminoso The Gentleman, cujas atividades deixam rastros em russo, alega ter realizado 15 ataques contra empresas e instituições brasileiras em diversos setores, incluindo educação, administração pública e venda de maquinários, apenas neste ano. Um dos alvos divulgados foi o Colégio Notre Dame, em Campinas (SP).

A quadrilha afirmou ter obtido dados de 51 alunos e indicou comunicação via Tox, uma plataforma criptografada. Na nota de resgate, os criminosos desaconselham a busca por ajuda de autoridades ou empresas de recuperação de dados, alegando que isso apenas resultaria em perda de tempo e dinheiro. Especialistas, contudo, recomendam o não pagamento dos resgates. A legislação brasileira exige a comunicação de incidentes cibernéticos à ANPD e às vítimas, com linguagem clara e individualizada, quando possível identificar os afetados.

Propheta, da CrowdStrike, adverte que pedidos de resgate podem ser falsos, reforçando a necessidade de acompanhamento profissional em casos de ataques. Um exemplo notório foi o ataque do grupo Dragonforce à FGV, em março, que publicou 1,52 TB de arquivos supostamente da instituição na dark web, alegando acesso a servidores internos e diretórios de funcionários. A FGV, na ocasião, declarou que o material divulgado continha formulários apócrifos e em branco, sem informações novas ou relevantes.

Botão Voltar ao topo