IA nas Empresas: A Revolução Tecnológica Esbarra na Falta de Gestão e Capacitação, Revela Estudo

Inteligência Artificial: O Potencial Transformador que Enfrenta Barreiras Culturais e de Gestão nas Empresas
A inteligência artificial (IA) avança a passos largos, tornando-se uma presença cada vez mais notável no ambiente corporativo. Contudo, a simples adoção de novas tecnologias não garante a transformação esperada. Muitas empresas se deparam com desafios significativos na gestão e na capacitação de suas equipes, o que impede a plena exploração do potencial da IA.
O fenômeno do Shadow AI, onde colaboradores utilizam ferramentas de IA de forma autônoma, muitas vezes sem o conhecimento ou diretrizes formais das empresas, evidencia essa lacuna. Enquanto a tecnologia já se infiltra no dia a dia do trabalho, as organizações ainda buscam estruturar uma abordagem coesa e estratégica.
Um relatório da Society for Human Resource Management (SHRM) aponta que, embora 91% dos CHROs considerem a IA uma prioridade, apenas 39% de fato a utilizam no setor de RH. A principal barreira, segundo 67% dos entrevistados, não é o custo ou a tecnologia em si, mas sim a falta de compreensão sobre as reais capacidades da IA. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, essa percepção é reforçada por especialistas que enfatizam que projetos de IA são, na verdade, projetos de transformação organizacional que utilizam a tecnologia como meio.
Desafios na Implementação Estratégica da IA
Um dos erros mais comuns cometidos pelas empresas, segundo Zeh Negri, diretor de Estratégia e Educação da Performa_IT, é acreditar que a aquisição de uma ferramenta de IA é suficiente para promover a mudança. Ele destaca que a cultura organizacional é o principal fator limitante, mais do que a licença de uso de plataformas como Copilot, Gemini ou ChatGPT. Se os colaboradores não estiverem preparados para aprender, experimentar e adaptar-se a novas formas de trabalho, a tecnologia por si só não gerará a transformação desejada.
A regra 10/20/70 do Boston Consulting Group (BCG) corrobora essa visão, indicando que apenas 10% do sucesso de uma iniciativa de IA está ligado aos algoritmos, 20% à tecnologia e aos dados, e os 70% restantes dependem das pessoas, processos e gestão da mudança. Isso sublinha a importância crucial do fator humano na adoção bem-sucedida da IA.
O Papel Central do RH na Transformação Digital
Jordana Albuquerque, CHRO da Rodonaves, reforça que os obstáculos raramente residem na ferramenta tecnológica, mas sim na gestão da mudança. Empresas frequentemente adquirem tecnologias esperando que a adoção ocorra naturalmente, negligenciando a necessidade de preparar a cultura, a liderança e capacitar as equipes. É fundamental que as pessoas compreendam o propósito da implementação da IA e o valor que ela agrega tanto para elas quanto para o negócio.
Nesse contexto, o departamento de Recursos Humanos (RH) assume um papel de protagonismo expandido. A área vai além da gestão tradicional de pessoas, tornando-se essencial na preparação das equipes, no desenvolvimento de novas competências e na adaptação das lideranças às novas dinâmicas de trabalho impulsionadas pela IA.
Adoção Gradual e Foco nas Pessoas
Ana Tomazelli, consultora de RH com vasta experiência em transformação organizacional, enfatiza que uma transformação real exige escolhas estratégicas. É preciso definir o que será redesenhado, quais capacitações são indispensáveis e como tempo, dinheiro e energia serão alocados de forma consistente com os objetivos propostos. Ela sugere que a implementação da IA tende a gerar melhores resultados quando iniciada com experiências menores, em equipes ou processos específicos.
Essa abordagem permite que as empresas testem aplicações, identifiquem ganhos e corrijam falhas antes de expandir o uso da tecnologia. Como alerta Tomazelli, se as pessoas não sabem o que fazer, o que observar e o que entregar, a tecnologia pode acabar por automatizar o caos. Portanto, o foco deve ser em capacitar os colaboradores para que a IA possa, de fato, potencializar suas atividades.
Competências Humanas em Destaque na Era da IA
Mais do que simplesmente aumentar a produtividade, a inteligência artificial tem o potencial de transformar fundamentalmente a maneira como as pessoas trabalham. Nesse cenário, competências intrinsecamente humanas, como a capacidade de interpretar contextos, o julgamento crítico, a adaptabilidade e a tomada de decisão assertiva, tornam-se ainda mais valiosas.
Jordana Albuquerque conclui que a vantagem competitiva futura não residirá apenas na posse da tecnologia mais avançada, mas, sobretudo, no desenvolvimento de profissionais preparados para colaborar efetivamente com a IA, potencializando os resultados de negócios e impulsionando a inovação contínua.