As bolsas de valores dos Estados Unidos voltaram a registrar recordes históricos nesta semana, impulsionadas por uma combinação de fatores que reacenderam o otimismo entre investidores: o avanço da inteligência artificial (IA), sinais de desaceleração controlada da economia e uma melhora na percepção de risco fiscal em Washington.
O movimento, que consolidou o maior nível do índice S&P 500 desde o início do ano, reforça a confiança do mercado em um cenário de crescimento sustentado, mesmo diante de desafios inflacionários e geopolíticos.
IA continua sendo o motor da euforia de Wall Street
O setor de tecnologia segue no centro da valorização das bolsas americanas. Empresas ligadas à inteligência artificial, como Nvidia, Microsoft e Alphabet, voltaram a puxar os principais índices para cima.
Desde o início de 2025, as companhias que investem pesado em IA vêm apresentando resultados acima do esperado, especialmente em áreas de computação em nuvem, chips avançados e automação.
O entusiasmo dos investidores se justifica: a IA vem se consolidando como o principal vetor de produtividade global. Analistas de mercado destacam que as grandes empresas de tecnologia estão apenas no começo de um ciclo de crescimento que pode redefinir a economia mundial.
Segundo relatório do banco Goldman Sachs, o avanço da IA deve adicionar até US$ 7 trilhões ao PIB global nos próximos dez anos, com os EUA liderando esse movimento. “A inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica — é uma revolução de eficiência que começa a se refletir nos balanços corporativos”, afirma David Kostin, estrategista-chefe do banco.
A Nvidia, símbolo dessa nova fase, viu suas ações subirem mais de 180% em 2025, superando pela primeira vez o valor de mercado de US$ 3,5 trilhões. Esse desempenho fez da fabricante de chips uma das empresas mais valiosas do mundo, à frente da Apple e da Amazon.
S&P 500 e Nasdaq renovam máximas históricas
O otimismo com a IA e o cenário fiscal favorável levaram os principais índices de Wall Street a novos recordes. O S&P 500 fechou a semana em alta de 1,8%, ultrapassando os 5.500 pontos pela primeira vez na história. O Nasdaq Composite, com forte peso de ações tecnológicas, avançou 2,4%, também atingindo máximas inéditas.
O Dow Jones Industrial Average, mais concentrado em empresas tradicionais, subiu 0,9%, refletindo um otimismo mais amplo que vai além do setor de tecnologia. “O mercado está precificando um cenário de crescimento sustentável, com inflação sob controle e empresas gerando lucros consistentes”, analisa Sarah Bloom, economista da consultoria Morningstar.
Outro fator importante foi a retomada do apetite por risco, impulsionada por dados macroeconômicos que mostraram uma desaceleração leve — mas não recessiva — da economia americana.
Economia mostra força, mas sem superaquecimento
Dados recentes divulgados pelo Departamento do Comércio dos EUA indicam que o PIB cresceu 2,1% no segundo trimestre de 2025, ritmo considerado saudável e sustentável. O mercado de trabalho também dá sinais de equilíbrio: o desemprego se manteve em 3,8%, enquanto o crescimento salarial desacelerou ligeiramente.
Esses números são vistos como ideais para o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, que busca conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico. “A economia dos EUA está no ponto certo: forte o suficiente para evitar recessão, mas moderada o bastante para permitir uma política monetária mais estável”, resume o economista Paul Donovan, do UBS.
Menor risco fiscal reforça a confiança dos investidores
Além do otimismo tecnológico, a questão fiscal voltou ao centro das discussões em Washington — e, surpreendentemente, trouxe boas notícias ao mercado. Após meses de impasse, o Congresso aprovou um acordo que limita o crescimento do gasto público federal e garante a manutenção do teto da dívida até 2027.
Essa resolução reduziu significativamente o risco de uma nova paralisação do governo (“shutdown”) e afastou temores de inadimplência da dívida americana — um cenário que chegou a assustar os investidores no início do ano.
A secretária do Tesouro, Janet Yellen, comemorou o acordo, afirmando que “os Estados Unidos reafirmam sua credibilidade fiscal e mostram que é possível combinar responsabilidade orçamentária com investimento em inovação e infraestrutura”.
Para o mercado, a mensagem foi clara: o risco fiscal está sob controle, e o governo tende a adotar uma postura mais previsível nos próximos anos.
Investidores estrangeiros voltam aos EUA
Com o ambiente fiscal mais estável e o dólar relativamente forte, investidores estrangeiros voltaram a direcionar recursos para o mercado americano. Fundos europeus e asiáticos aumentaram suas posições em ações do S&P 500 e em títulos do Tesouro dos EUA, segundo dados da Bloomberg.
O movimento reforça o papel dos Estados Unidos como porto seguro global, mesmo em meio a tensões geopolíticas envolvendo China e Oriente Médio. “Enquanto outras economias enfrentam incertezas, os EUA mostram consistência institucional e capacidade de inovação”, afirma a analista financeira japonesa Keiko Tanaka.
Esse fluxo de capital também ajuda a sustentar o dólar, que subiu 0,4% na semana, e mantém o rendimento dos títulos de 10 anos (Treasuries) estável em torno de 4,2%.
Empresas ampliam lucros com automação e IA generativa
Os resultados corporativos divulgados recentemente também contribuíram para o otimismo. Gigantes como Amazon, Google e Meta reportaram lucros acima das expectativas, impulsionados por ganhos de eficiência proporcionados pela automação e pela IA generativa.
A Microsoft, por exemplo, anunciou que seus serviços baseados em IA, como o Copilot, já estão presentes em mais de 400 mil empresas globalmente. Isso representa um salto de 150% em menos de um ano.
“O aumento de produtividade é palpável. As companhias estão reduzindo custos operacionais enquanto ampliam receita com novos produtos baseados em IA”, explica a analista de tecnologia Emily Rodgers, da JP Morgan.





