Guerra no Oriente Médio não assusta; Bolsa brasileira atrai gringo com preços baixos e juros altos: R$ 48,7 bilhões de entrada no 1º Trimestre de 2026 - Brasa Noticias

Guerra no Oriente Médio não assusta; Bolsa brasileira atrai gringo com preços baixos e juros altos: R$ 48,7 bilhões de entrada no 1º Trimestre de 2026

Fluxo estrangeiro na B3 atinge o melhor patamar desde 2022, superando incertezas globais e impulsionado por atratividade de ativos brasileiros.

Apesar da escalada de tensões no Oriente Médio, o investidor estrangeiro tem demonstrado um apetite renovado pela Bolsa brasileira. Março de 2026, que ainda não terminou, já acumula uma entrada líquida de R$ 7,05 bilhões, superando os R$ 3,1 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Este cenário positivo projeta um primeiro trimestre de 2026 com a maior entrada de capital externo na B3 desde 2022, quando os primeiros três meses do ano totalizaram R$ 65,3 bilhões.

O movimento de 2022 foi fortemente influenciado pelo boom das commodities e juros elevados, que criavam oportunidades de arbitragem com taxas mais baixas em mercados desenvolvidos. Em 2026, a atratividade se renova com ações brasileiras apresentando preços mais convidativos em comparação com mercados internacionais e emergentes. A perspectiva de afrouxamento monetário, iniciado em março, e a proximidade das eleições presidenciais também contribuem para o otimismo.

Conforme informações divulgadas pelo Estadão Conteúdo, o fluxo estrangeiro para o Brasil tem sido impulsionado pela saída de capital do mercado norte-americano. Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, aponta que ações nos EUA estão mais caras e que a política de Donald Trump gera incertezas, levando investidores a buscarem alternativas mais promissoras.

Brasil se destaca por ‘valuation’ atrativo e juros reais elevados

Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital, reforça que a Bolsa brasileira é considerada uma das mais descontadas do mercado. A ideia de um valuation atrativo se mantém, aliada a um diferencial de juros favorável, com uma taxa real elevada que continua a atrair o capital estrangeiro. A única ressalva seria uma potencial piora na guerra, que poderia elevar o risco inflacionário.

Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações do Itaú BBA, compartilha da mesma visão, projetando a continuidade do fluxo externo para o Brasil, a menos que o Federal Reserve (Fed) precise aumentar juros por conta de um risco inflacionário elevado, cenário que não é o base. O BBA estima que a Bolsa brasileira negocia com um desconto de 5% em relação à sua média histórica.

Cessar-fogo e juros em queda abrem portas para novos fluxos

A possibilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio, ventilada pelos Estados Unidos, pode diminuir a busca por ativos considerados seguros, como o dólar e os Treasuries. João Daronco, analista da Suno Research, avalia que parte desse capital pode migrar para mercados emergentes, incluindo o Brasil, à medida que o risco global diminui.

Apesar da queda da Selic, que passou de 15% para 14,75% ao ano e deve fechar 2026 em 12,50%, a taxa de juros brasileira ainda permanecerá elevada em comparação com as taxas norte-americanas, que variam entre 3,50% e 3,75%. Este diferencial, mesmo que menor, continua sendo um atrativo.

Expectativas eleitorais e atratividade de longo prazo impulsionam o fluxo

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, destaca a resistência do investidor estrangeiro em abandonar o Brasil, mesmo em um cenário de incertezas, devido à atratividade dos ativos brasileiros. Eles oferecem diversificação geográfica, preços baixos e a perspectiva de um rali eleitoral.

Para Fernando Siqueira, da Eleven, a queda da Selic e as eleições presidenciais serão os principais motores do mercado brasileiro, atraindo tanto investidores estrangeiros quanto locais. A expectativa de alternância de poder em 2027, que pode trazer um novo direcionamento para as contas públicas, também é um fator motivador.

Spiess compara o cenário brasileiro ao da Argentina após a eleição de Javier Milei, indicando que muitos estrangeiros buscam “pegar carona” no potencial rali eleitoral brasileiro. A combinação de preços baixos, juros reais ainda altos e a perspectiva de mudanças políticas configuram um cenário promissor para a entrada de capital externo na Bolsa brasileira.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

Welbert Lucas é um talentoso redator do site Brasa Noticias, apaixonado por filmes, games e cultura pop. Sua paixão por esses temas transparece em seu trabalho, onde ele combina sua habilidade de escrita com seu vasto conhecimento dessas áreas. Com uma escrita envolvente e criativa, Welbert é capaz de transportar os leitores para universos cinematográficos, aventuras virtuais e cenários cheios de referências culturais. Além de seu talento como redator, ele é um verdadeiro entusiasta, sempre atualizado sobre as últimas novidades da indústria do entretenimento. Seja através de críticas cinematográficas, análises de jogos ou artigos sobre cultura pop, Welbert Lucas oferece conteúdo de qualidade que entretém e informa os leitores do Brasa Noticias de forma única e apaixonante.

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