Ipea surpreende com projeção de crescimento do PIB em 1,8% para 2024, apesar das turbulências globais
A economia brasileira deve apresentar um crescimento de 1,8% neste ano, segundo as projeções mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento. Essa previsão otimista considera um cenário externo complexo, marcado pela guerra e pela instabilidade geopolítica, mas aponta para forças internas que sustentam o desempenho econômico do país.
O estudo do Ipea, divulgado na Carta de Conjuntura nº 70, reconhece o elevado nível de tensão global, o maior desde o fim da Guerra Fria, e o impacto do aumento dos preços internacionais do petróleo. No entanto, o instituto identifica motivos para um otimismo moderado, destacando a relativa rigidez de algumas dinâmicas internas que têm caracterizado a economia brasileira.
Dentre esses fatores de sustentação, o Ipea ressalta o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e o aumento do volume de crédito concedido pelo sistema financeiro nacional. Essas condições internas, segundo o instituto, contrapõem a incerteza do cenário internacional e fornecem uma base sólida para o crescimento.
Consumo das Famílias e Crédito: Motores da Economia Brasileira
O consumo das famílias é apontado como um dos principais impulsionadores da economia brasileira. Essa força é alimentada, em parte, pelo aumento real do salário mínimo, que eleva o poder de compra da população. Essa dinâmica, já observada e destacada pelo IBGE, contribui significativamente para a demanda interna e, consequentemente, para o crescimento do PIB.
Paralelamente, a disponibilização de crédito pelo sistema financeiro nacional desempenha um papel crucial. O acesso facilitado ao crédito pode estimular investimentos privados, outro componente essencial para a expansão da atividade econômica. A soma desses fatores — consumo e investimento — é vital para o cálculo do PIB.
Políticas Fiscais e Comércio Exterior em Cenário de Conflitos
O Ipea também projeta que o Estado continuará a política do novo arcabouço fiscal, combinando o aumento de gastos públicos com foco social e o crescimento das receitas. Essa estratégia é influenciada pela valorização do salário mínimo e pela reindexação de gastos com saúde. Essas medidas visam fortalecer a demanda interna e o bem-estar social.
No que diz respeito ao comércio exterior, o instituto prevê benefícios decorrentes de políticas fiscais expansionistas, impulsionadas por investimentos em inteligência artificial e gastos com armamentos, reflexo do conflito no Oriente Médio. O Ipea lembra que eventos globais como a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, não impediram o crescimento do comércio mundial em 5,8% naquele ano, demonstrando a resiliência do comércio global.
Projeções para os Próximos Anos e Comparativo Histórico
A precisão do Ipea em suas previsões é destacada, visto que o instituto acertou a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para o ano passado. Se a estimativa de 1,8% para 2024 se concretizar, o somatório do período de 2023 a 2026 atingirá 10,7%. Este índice é superior aos dois quadriênios anteriores, representando um avanço significativo.
Comparativamente, o resultado projetado para o quadriênio 2023-2026 seria cinco pontos percentuais acima do PIB acumulado entre 2019 e 2022 (total de 5,7%) e 0,8 ponto percentual acima do desempenho entre 2015 e 2018 (9,9%). Para 2027, o Ipea estima um crescimento de 2% para o PIB, indicando uma perspectiva de continuidade na expansão econômica.





