Grande Hotel de Araxá 80 Anos: Livro Revela Histórias Secretas de Cientistas Soviéticos a Filmes Censurados - Brasa Noticias

Grande Hotel de Araxá 80 Anos: Livro Revela Histórias Secretas de Cientistas Soviéticos a Filmes Censurados

O Grande Hotel de Araxá, um marco histórico e arquitetônico de Minas Gerais, completa 80 anos de existência em 2024. Para celebrar essa data especial, foi lançado o livro “Sobre o tempo – Grande Hotel Termas de Araxá 80 anos”, que mergulha nas ricas histórias e no legado deste empreendimento singular. A obra, resultado de uma profunda pesquisa, promete encantar leitores com narrativas que vão desde a visita de cientistas soviéticos até os bastidores de filmagens marcadas pela censura.

A jornalista Mariana Peixoto, autora do livro, compartilha sua paixão pelo local, frequentado desde a infância. A inspiração para registrar a trajetória do Grande Hotel Termas de Araxá surgiu após uma visita em 2022, período em que o hotel passou por uma significativa reformulação, transitando de um resort familiar para um destino focado em bem-estar. A obra, com 154 páginas, é uma produção de Helvécio Carlos, com fotografias de Léo Lara e projeto gráfico da Greco Design.

“Sou de Belo Horizonte e não tenho relação com Araxá, exceto por conhecer o hotel desde criança. A visita de 2022, porém, me deixou muito impressionada. O hotel ficou muito tempo fechado durante a pandemia e fomos para a reabertura. Logo pensei que aquele lugar merecia um livro. Então comecei uma pesquisa nos arquivos da revista O Cruzeiro e descobri histórias incríveis”, explica Mariana Peixoto. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, a publicação detalha a fascinante história do Grande Hotel de Araxá.

A Expedição Soviética e o Eclipse Inesperado

Uma das narrativas mais curiosas presentes no livro é a visita de uma expedição de cientistas soviéticos em busca de observar um eclipse total do Sol. A viagem, repleta de percalços, como um encalhe no gelo do Mar Báltico, levou os pesquisadores a se prepararem para uma aventura em um território rural no interior do Brasil, sem ter plena noção da sofisticação que encontrariam.

Ao chegarem ao Grande Hotel Termas de Araxá, os cientistas ficaram surpresos com o tamanho e o luxo do local, percebendo a inadequação de suas vestimentas. Apenas o chefe da expedição permaneceu hospedado, enquanto os demais buscaram acomodações mais simples. O desfecho, no entanto, foi frustrante, pois o céu nublado impediu a observação do eclipse, mas o episódio entrou para as memórias da cidade, que acolheu cientistas russos em plena Guerra Fria.

Arquitetura e Personalidades que Moldaram o Hotel

O projeto do Grande Hotel Termas de Araxá, que levou quatro anos para ser concluído, é uma obra de Luiz Signorelli e Rafael Berti. A dupla uniu com maestria o estilo eclético do neoclássico com as inovações do art déco e do modernismo. O hotel preserva até hoje salões históricos, como a Sala Congonhas, que era o escritório de Getúlio Vargas, mantida exatamente como em sua época.

As termas, um dos grandes tesouros do complexo, são ligadas ao hotel por uma galeria suspensa e adornadas por afrescos que retratam paisagens mineiras. Uma rotunda com 17 metros de altura e vitrais narra a história de Araxá e do Complexo do Barreiro, conduzindo aos banhos termais, com destaque para o famoso banho de lama imortalizado por Dona Beja.

Os Jardins de Burle Marx e a Sétima Arte em Araxá

Os jardins do Grande Hotel de Araxá foram concebidos pelo renomado paisagista Roberto Burle Marx, que também deixou sua marca em pinturas originais na suíte presidencial. A construção do hotel representou um grande desafio, com materiais vindos da Europa, mas também impulsionou o desenvolvimento local, qualificando mão de obra e disseminando novos conhecimentos.

Em 1969, o hotel serviu de cenário para as filmagens do longa “Balada dos Infiéis”, com a participação de Pedro Paulo Cava, Priscila Freire e Mário Lago. No entanto, a obra sofreu com a censura da ditadura militar, que descaracterizou o filme, transformando-o em uma produção de cunho sexual que chocou a sociedade araxaense e acabou caindo no esquecimento.

Superação e Legado: Do Abandono à Renovação

O livro “Sobre o tempo” não se esquiva de relatar os períodos de dificuldade do Grande Hotel de Araxá. O imóvel, vítima de depreciação e até de um incêndio, foi fechado pelo governo do Estado na década de 1990. Graças à atuação do Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Histórico de Minas Gerais (Iepha-MG) e ao trabalho incansável do ceramista Máximo Soalheiro, o prédio foi recuperado e voltou a brilhar, superando anos de ostracismo.

Mariana Peixoto ressalta a importância de contar toda a trajetória do hotel, incluindo seus altos e baixos. “Como jornalista, eu precisava contar os tempos áureos e também as dificuldades vividas. Tudo isso faz parte do que trouxe o Grande Hotel Termas de Araxá até aqui como um ícone da hotelaria nacional e um espaço importantíssimo na história de Minas Gerais.”

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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