Golpe do Sósia Usa IA e Biometria: Criminosos Buscam Rostos Idênticos para Fraudes - Brasa Noticias

Golpe do Sósia Usa IA e Biometria: Criminosos Buscam Rostos Idênticos para Fraudes

Golpe do sósia engana biometria com tecnologia de reconhecimento facial

Uma nova e sofisticada modalidade de fraude, conhecida como golpe do sósia, tem tirado o sono de especialistas em segurança. Criminosos estão utilizando tecnologia de comparação facial para encontrar pessoas com características físicas muito parecidas com as dos próprios fraudadores. O objetivo é burlar sistemas de validação de identidade que dependem de biometria, como o reconhecimento facial.

Essa estratégia inovadora foi identificada pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e detalhada no mais recente Mapa da Fraude. A tática explora justamente os avanços tecnológicos que visam aumentar a segurança, invertendo a lógica tradicional do crime. Em vez de partir dos dados de uma vítima específica para depois tentar assumir sua identidade, os golpistas agora buscam indivíduos com quem se pareçam.

A Serasa Experian ressalta que essa nova abordagem demonstra como os criminosos se adaptam rapidamente, utilizando ferramentas avançadas para seus propósitos ilícitos. A empresa defende a importância de não depender exclusivamente do reconhecimento facial como única camada de autenticação, pois isso abre brechas significativas para fraudes cada vez mais elaboradas.

Como o golpe do sósia funciona

A engenhosidade por trás do golpe do sósia reside no uso de motores de comparação facial. Essas ferramentas permitem que os criminosos comparem seus próprios rostos com um vasto banco de dados de imagens, incluindo aquelas obtidas de forma ilícita. A partir dessa análise, eles identificam indivíduos que possuem um alto grau de semelhança física com eles.

Uma vez que um “sósia” é encontrado, o fraudador tenta utilizar essa semelhança para se passar pela pessoa em processos de validação de identidade. Isso inclui desde o cadastro em novos serviços até a abertura de contas bancárias, onde a biometria facial é frequentemente exigida. A ideia é que a tecnologia de reconhecimento facial, ao detectar a alta similaridade, possa ser enganada.

Diferentemente das modalidades mais antigas de fraude, onde o foco era roubar dados de uma vítima específica, o golpe do sósia muda o ponto de partida. A busca é por uma identidade que seja fisicamente compatível com o criminoso, facilitando a suplantadação durante a verificação biométrica.

Biometria não é suficiente sozinha

Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, enfatiza que o reconhecimento facial, embora útil, não deve ser a única barreira de segurança. Ele explica que a combinação com outros sinais de autenticação é crucial para identificar inconsistências que uma análise puramente facial poderia ignorar.

A Serasa Experian recomenda a adoção de uma abordagem em camadas de segurança. Isso significa que, além da biometria facial, outros fatores devem ser considerados para confirmar a identidade de um usuário. Essa estratégia multifacetada dificulta a ação dos criminosos, mesmo que eles consigam enganar um dos sistemas de verificação.

Entre os mecanismos adicionais que podem ser combinados com o reconhecimento facial, estão a validação de documentos, a análise de comportamento do usuário e a verificação de informações cadastrais. A integração desses diferentes elementos cria uma rede de segurança mais robusta.

Prejuízos evitados e como se proteger

Os dados do Mapa da Fraude da Serasa Experian revelam a dimensão do problema. No primeiro semestre de 2026, as soluções antifraude da empresa conseguiram identificar e barrar 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade. Esse número representa um crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando uma escalada nas atividades criminosas.

A empresa estima que, graças a essas ações, um prejuízo de aproximadamente R$ 3,77 bilhões foi evitado no período. Essa cifra impressionante demonstra a importância das tecnologias e estratégias de prevenção contra fraudes. Em média, uma ocorrência de alto risco era identificada a cada 5,5 segundos.

Para se proteger, os consumidores devem adotar cuidados básicos, como evitar compartilhar documentos, fotografias e dados biométricos em sites ou aplicativos não confiáveis. Manter os dispositivos seguros e utilizar senhas fortes também são medidas essenciais para reduzir o risco de exposição de informações pessoais.

Empresas precisam de segurança em camadas

Para as empresas, a recomendação da Serasa Experian é clara: adotar uma estratégia de prevenção em camadas. Isso significa não depender de uma única informação ou imagem para validar um cadastro ou transação. A combinação de diferentes mecanismos de segurança é fundamental para detectar atividades suspeitas.

A integração de verificações de documentos com a análise de padrões de comportamento e a validação de informações cadastrais pode ajudar a identificar situações em que o rosto apresenta alta similaridade com um indivíduo legítimo, mas outros dados da operação levantam bandeiras vermelhas. Essa análise conjunta fortalece a segurança e protege tanto as empresas quanto seus clientes.

A Serasa Experian aponta que, ao combinar diferentes métodos de autenticação, as empresas podem criar um ambiente mais seguro, dificultando a ação de criminosos que buscam explorar vulnerabilidades em sistemas de segurança. A luta contra o golpe do sósia e outras fraudes exige vigilância constante e a adoção de tecnologias de ponta aliadas a boas práticas de segurança.

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