“Gás do Povo” começa a atender famílias ainda em novembro, segundo governo
O governo federal confirmou que o programa Gás do Povo terá início ainda em novembro de 2025, beneficiando milhões de famílias de baixa renda.
A previsão foi reafirmada durante uma audiência pública realizada em 12 de novembro, quando a diretora de Programas do Ministério do Desenvolvimento Social, Analúcia Alonso, afirmou que as primeiras entregas de botijões gratuitos começarão neste mês.
O que é o Gás do Povo e por que ele substitui o Auxílio Gás
O programa foi criado para substituir o Auxílio Gás, que hoje transfere recursos em dinheiro para as famílias comprarem botijões de gás.
No lugar disso, o Gás do Povo prevê a entrega direta dos botijões de GLP (gás de cozinha) por meio de revendedoras credenciadas.
A previsão é atender 15,5 milhões de domicílios até março de 2026.
Quem tem direito ao Gás do Povo
Conforme o governo, serão contempladas famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal per capita de até meio salário mínimo — valor atualmente estimado em R$ 759 por pessoa.
Além disso, há prioridade para beneficiários do Bolsa Família, segundo a diretora Analúcia Alonso.
Como funcionará a retirada dos botijões
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As famílias receberão “créditos” para resgatar botijões em revendedores autorizados.
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Para efetuar a retirada, poderão usar qualquer cartão da Caixa Econômica. Quem não tiver conta bancária poderá informar apenas o CPF na maquininha de pagamento e receberá um código para liberar o botijão.
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Também será possível usar o cartão do Bolsa Família para a retirada.
Quantidade de botijões por família
O decreto que regulamenta o Gás do Povo define a quantidade de botijões gratuitos por ano de acordo com o tamanho da família:
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Famílias com 2 ou 3 pessoas poderão receber até 4 botijões por ano.
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Famílias com 4 ou mais pessoas terão direito a até 6 botijões por ano.
Esses créditos têm validade: para famílias de 2–3 pessoas, o prazo para usar cada carga é de 3 meses; para famílias maiores, o prazo é de 2 meses.
Objetivo social: reduzir a pobreza energética
Uma das motivações centrais do programa é combater a pobreza energética. Segundo Analúcia Alonso, muitas famílias ainda dependem de lenha ou carvão para cozinhar, o que representa risco à saúde — especialmente para mulheres e crianças — devido à fuligem e chance de queimaduras.
Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que cerca de 30% da energia usada para cozinhar no Brasil ainda vem de lenha ou carvão, especialmente no Norte e Nordeste.
Alcance e orçamento do programa
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o Gás do Povo vai beneficiar mais de 60 milhões de brasileiros, considerando que muitas famílias têm vários membros.
Quando totalmente implementado, a expectativa é distribuir 65 milhões de botijões por ano. Para custear o programa, o governo estimou gastos de R$ 8,7 bilhões em 2026, conforme anunciado na cerimônia de lançamento.
Preocupações do setor de gás
Apesar do caráter social, há preocupações por parte de entidades do setor. O presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, alertou que a tabela de preços proposta pelo governo está abaixo dos valores praticados pela ANP, o que pode desestimular revendedoras a aderirem.
Também o presidente da Abragás, José Luiz Rocha, defendeu que fosse usado o preço basilar da ANP para estimular a distribuição e evitar perdas para os revendedores.
Validade da medida provisória
O Gás do Povo foi criado por meio da Medida Provisória 1.313/2025. Essa MP precisa ser votada até 11 de fevereiro de 2026, sob risco de perder validade.
Durante a audiência pública, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) ressaltou a necessidade de aprovar a medida para garantir a continuidade do benefício.