Fim da Escala 6×1: Joalherias de Minas Gerais Alertam para Aumento de Custos e Demissões com Nova Lei

Setor Joalheiro Mineiro em Alerta com Fim da Escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 e instituir dois dias de folga semanais, acompanhada pela redução da jornada máxima para 40 horas sem alteração salarial, tem gerado grande preocupação no setor joalheiro de Minas Gerais. O Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras de Pedras Preciosas, Relojoarias, Folheados de Metais Preciosos e Bijuterias no Estado de Minas Gerais (Sindijoias Ajomig) aponta para uma série de consequências econômicas e sociais adversas.
Segundo o Sindijoias Ajomig, a mudança pode levar à substituição de mão de obra, com empresas buscando novas contratações cujos salários sejam proporcionais à jornada reduzida. Essa medida, alerta o sindicato, poderia impactar negativamente a produtividade, especialmente em um cenário de escassez de profissionais qualificados, agravando ainda mais a situação.
O presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano, defende que a negociação coletiva seja a prioridade. Ele acredita que essa abordagem permite a criação de soluções mais adaptadas às particularidades de cada setor, garantindo que os objetivos de bem-estar e convívio familiar dos trabalhadores sejam alcançados de forma mais eficaz e alinhada à realidade brasileira.
Impactos Econômicos e Pressão Inflacionária no Setor
Do ponto de vista econômico, o Sindijoias Ajomig projeta um aumento nos custos dos produtos, o que, por sua vez, pode gerar pressão inflacionária. Essa combinação de fatores tende a reduzir o poder de compra dos consumidores, afetando diretamente as vendas no setor joalheiro. A entidade ressalta que a própria intenção de aumentar o tempo de lazer e convívio familiar pode ser comprometida se os trabalhadores precisarem buscar fontes de renda extras para compensar a perda de poder aquisitivo.
“Na nossa leitura, o fim da escala 6×1 pode ser prejudicial para o País, tanto do ponto de vista econômico quanto social. O cerne dessa proposta, que seria ampliar o bem-estar e o tempo do trabalhador com a família, pode não ser alcançado diante da realidade brasileira”, afirmou Murilo Graciano, presidente do Sindijoias Ajomig.
Demissões e Redução de Produtividade no Horizonte
Uma das maiores preocupações do sindicato é o risco de demissões em massa. Graciano explica que a necessidade de novas contratações com salários ajustados à jornada reduzida pode levar à substituição de parte dos trabalhadores atuais. Isso não apenas gera insegurança para os empregados, mas também pode resultar em uma diminuição da produtividade geral, uma vez que novas contratações podem envolver profissionais menos experientes.
“O fim da escala 6×1 pode reduzir a produtividade em um cenário de escassez de mão de obra, especialmente qualificada, já que seria necessário contratar profissionais ainda inexperientes. Essa medida poderia agravar ainda mais esse quadro”, detalha Graciano.
Negociação Coletiva como Caminho para Soluções Setoriais
Diante deste cenário de incertezas, o Sindijoias Ajomig reforça a importância do fortalecimento das negociações coletivas. O sindicato, que representa cerca de 160 empresas do setor joalheiro em Minas Gerais, acredita que acordos negociados diretamente entre empregadores e empregados são a via mais eficaz para encontrar soluções que respeitem as especificidades de cada segmento da indústria e do varejo.
“Enxergamos nas negociações coletivas o melhor caminho, porque elas permitem considerar as especificidades de cada indústria e segmento. As convenções coletivas aproximam empregados e empregadores e permitem discutir interesses, responsabilidades, direitos e deveres de ambas as partes”, conclui o presidente do Sindijoias Ajomig.