Enchentes em Ubá causam estragos bilionários e ameaçam milhares de empregos no setor produtivo
As devastadoras enchentes que assolaram Ubá, na Zona da Mata mineira, em fevereiro, deixaram um cenário desolador para o setor produtivo local. A indústria e o comércio da cidade sofreram impactos severos, resultando em perdas financeiras milionárias, interrupção de atividades e um temor real de fechamento de empresas e demissões em larga escala. As projeções indicam um prejuízo que pode atingir a marca de R$ 650 milhões.
Um levantamento minucioso realizado pela Associação Comercial e Industrial de Ubá (Aciubá) consultou 1.115 estabelecimentos. Deste total, os prejuízos diretos declarados pelas empresas somaram R$ 297,2 milhões. Para chegar ao valor total estimado, foram considerados os impactos indiretos e a perda de faturamento. O índice de negócios que sofreram danos graves ou perda total foi alarmante, atingindo 93,7%.
A gravidade da situação é reforçada pelas declarações do presidente da Aciubá, Elias Coelho. Ele aponta que mais da metade dos empresários (51,6%) que responderam ao questionário consideram o encerramento das atividades, seja de forma temporária ou permanente. Essa perspectiva coloca cerca de 6 mil empregos diretamente ameaçados, um número que evidencia a fragilidade econômica do município.
Impacto na Arrecadação e Risco de Recessão Prolongada
O presidente da Aciubá também alertou para a provável queda acentuada na arrecadação tributária do município. A crise no comércio local pode gerar impactos significativos na arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais. Estimativas indicam que, em um ano, a cidade poderá perder entre R$ 50 milhões e R$ 75 milhões em arrecadação apenas no setor comercial, considerando impostos como ISS, IPTU comercial, taxas municipais, Imposto de Renda e ICMS.
A maior preocupação da entidade, no entanto, reside no risco de uma recessão prolongada em Ubá. A longo prazo, a redução da arrecadação, especialmente a municipal, poderá comprometer investimentos essenciais em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Elias Coelho ressalta que, sem medidas de apoio, como a suspensão fiscal temporária, um ciclo vicioso de agravamento da crise pode se instalar, resultando em menos arrecadação, menos serviços públicos e mais informalidade.
Indústria Moveleira Sofre Danos Significativos
No setor industrial, a indústria moveleira de Ubá, um dos pilares da economia local, também foi duramente atingida. Segundo Gilberto Coelho, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), 47 indústrias moveleiras foram diretamente afetadas pelas chuvas. Deste total, 33 ainda enfrentam dificuldades para retomar suas operações, com algumas empresas tendo perdido estrutura, máquinas, equipamentos e parte de seus galpões.
A previsão é de um impacto estimado de 10% no volume de produção e faturamento para o setor moveleiro, que congrega mais de 300 empresas. Os prejuízos incluem a perda de matéria-prima, estoque de produtos acabados e equipamentos essenciais para a produção. Apesar disso, o presidente do Intersind destaca que empresas não atingidas seguem operando, o que ajuda a mitigar o impacto geral no polo regional, que abrange cerca de 400 empresas em 28 municípios.
A crise já começa a refletir no mercado de trabalho do setor. Trabalhadores em contrato de experiência estão sendo desligados e novas contratações foram suspensas. O Intersind tem atuado em força-tarefa para buscar apoio governamental e evitar demissões em massa, mas o impacto no emprego já é uma realidade.
Crédito Emergencial do Governo Federal Previsto para Abril
Diante deste cenário crítico, as entidades empresariais de Ubá esperam iniciativas rápidas e coordenadas das autoridades para impulsionar a retomada econômica da cidade. A Aciubá propôs uma série de ações emergenciais, incluindo linhas de crédito subsidiadas, isenções fiscais temporárias e apoio para a manutenção de empregos.
Após mais de um mês do ocorrido, a verba prometida pelo governo federal para a recomposição econômica ainda não havia chegado aos municípios afetados. A expectativa era de que R$ 500 milhões fossem liberados para Ubá e Juiz de Fora em forma de empréstimos com condições especiais, via Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Representantes do governo informaram que a liberação dependia de trâmites burocráticos.
Em nota, a Casa Civil informou que está trabalhando para que as operações de crédito a empreendimentos afetados pelas chuvas em Juiz de Fora e Ubá comecem a ser disponibilizadas na primeira quinzena de abril. O órgão confirmou o valor de R$ 500 milhões em linhas operacionalizadas pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, com condições facilitadas de taxas, prazo e carência, visando contribuir para a retomada da atividade econômica dos municípios.





