A empatia, um pilar ausente nas grandes crises globais
A ausência de empatia, uma força invisível, permeia muitos dos desafios mais prementes da atualidade. Ela se manifesta na escalada de conflitos internacionais, como o que envolve Irã, Israel e os Estados Unidos, e, de forma mais sutil, sustenta a inércia global diante da crise climática. Esses problemas contemporâneos refletem uma estrutura social incapaz de reconhecer o outro como legítimo, vulnerável e interdependente.
O povo judeu tem direito à segurança, à vida, à liberdade? O povo iraniano tem direito à segurança, à vida, à liberdade? Para observadores externos, a resposta é um inequívoco sim. Contudo, para aqueles imersos no conflito, essa percepção frequentemente se distorce, levando à negação desses direitos fundamentais ao “inimigo”.
A escalada recente do conflito entre Irã e Israel ilustra essa falha de percepção de forma assustadora. A falta de empatia distorce a visão sobre os direitos alheios, alimentando um ciclo vicioso de desumanização. A percepção de risco e a retórica do “inimigo absoluto” criam um ambiente onde cada ação do outro é vista como uma ameaça, justificando medidas extremas e banalizando a perda de vidas.
Conforme aponta Paulo Guerra, Diretor de Programas FDC Gestão Pública, em artigo para o Diário do Comércio, a eliminação da empatia é a essência da manutenção de qualquer conflito. Quando grupos passam a enxergar o mundo em termos binários, como “nós contra eles”, o espaço para a empatia se esgota, e sociedades inteiras aprendem a operar sem ela.
A crise climática: um reflexo da ausência de empatia coletiva
A paralisia diante da crise climática é outra manifestação dessa mesma deficiência empática. A solução para essa emergência global exige que nos importemos com pessoas que ainda não nasceram, com populações distantes e com espécies que não compartilham nossa linguagem. Reconhecer que nossas ações individuais e coletivas têm consequências para os outros é fundamental.
Quando a empatia enfraquece, a urgência climática se dilui. O problema deixa de ser uma responsabilidade compartilhada e passa a ser visto como algo distante, que não nos afeta diretamente. Essa desconexão impede a adoção de medidas mais drásticas e necessárias para mitigar os impactos ambientais.
O cultivo da empatia: um caminho para a paz e a sustentabilidade
Pesquisas em psicologia do desenvolvimento, citadas por Guerra, indicam que a empatia surge da capacidade de interpretar intenções e emoções alheias. Essa habilidade precisa ser cultivada desde cedo, em ambientes que valorizem a sensibilidade emocional e o reconhecimento do outro.
Interações pacíficas e respeitosas são o solo fértil para o desenvolvimento de comportamentos pró-sociais, como ajudar, compartilhar e confortar. A empatia, portanto, é uma construção social que floresce quando incentivada e desaparece quando desvalorizada.
Polarização e medo: inimigos da empatia e da ação coletiva
Sociedades que cultivam o medo, a hostilidade e a polarização tornam-se mais propensas à violência. Essa violência pode ser ativa, como no contexto de guerras, ou passiva, como na inércia diante da crise climática. A falta de empatia nos torna menos capazes de agir de forma construtiva diante de desafios que exigem cooperação e solidariedade globais.
A reflexão sobre a empatia é crucial para que possamos superar os conflitos e construir um futuro mais seguro e sustentável para todos. Sem essa capacidade de nos conectarmos com o outro, os desafios que enfrentamos tendem a se agravar, comprometendo o bem-estar das gerações presentes e futuras.





