Ecovias das Gerais analisa alteração de locais de pedágio na BR-116 e BR-251, mas rejeita isenção para moradores locais.
A concessionária Ecovias das Gerais apresentou nesta quarta-feira (12) uma nova perspectiva sobre a instalação de praças de pedágio na BR-116 e BR-251. Durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a empresa rejeitou a proposta de isentar moradores de comunidades próximas da cobrança, mas admitiu a possibilidade de alterar a localização de alguns pontos de cobrança. A discussão atende à pressão de representantes de municípios do Vale do Jequitinhonha.
A diretora-superintendente da Ecovias, Amanda Marçal, informou que a concessionária já realizou um estudo técnico, social e ambiental para avaliar alternativas de reposicionamento das praças. Contudo, qualquer mudança que ultrapasse cinco quilômetros do local original necessitará de autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os valores do pedágio, ainda não definidos, foram estimados em torno de R$ 10, com início previsto para dezembro, após as obras emergenciais da concessão.
A preocupação central reside nos municípios de Itaobim, Catuji e Medina. Moradores temem que os pontos de cobrança criem barreiras financeiras para deslocamentos cotidianos, afetando trabalhadores, estudantes e pequenos produtores. Em Itaobim, por exemplo, há um pedido para deslocar o pedágio do km 113 para o km 108, impactando 14 comunidades rurais segundo representantes locais.
Impacto socioeconômico e a realidade de Catuji
A prefeita de Catuji, Maria José de Oliveira, ressaltou o quarto pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Minas Gerais em seu município. A expectativa é que o pedágio em Catuji custe cerca de R$ 8,94, um valor considerado alto para quem precisa usar a rodovia frequentemente, mesmo sendo inferior à média estimada de R$ 10. A prefeita enfatizou a dificuldade que essa cobrança impõe aos cidadãos.
Proposta de isenção versus desconto para usuários frequentes
O deputado Doutor Jean Freire defende uma proposta de isenção para motoristas que retornam ao mesmo ponto de cobrança em até 24 horas. A Ecovias, por sua vez, apresentou o sistema de Desconto para Usuário Frequente (DUF), que oferece reduções progressivas, podendo chegar a 24% ou 26%. No entanto, o deputado considera essa medida insuficiente para os moradores que utilizam a estrada diariamente. Uma informação relevante é que motocicletas não serão cobradas, conforme anunciado pelo diretor da Ecovias, Luís Carlos Salvador.
Investimentos e abrangência da concessão
A concessão da BR-116 e BR-251, iniciada em 3 de julho, abrange 734,9 quilômetros e envolve 26 municípios mineiros. Ao longo de 30 anos, a Ecovias prevê investimentos de R$ 13,1 bilhões, incluindo duplicações, faixas adicionais e a construção do contorno viário de Teófilo Otoni. A concessão visa modernizar a infraestrutura rodoviária da região, mas as discussões sobre o impacto social da cobrança de pedágio continuam intensas.





