Economia mineira em 2026: PIB deve ter pequena desaceleração em Minas, mas com resiliência de setores chave
A economia de Minas Gerais deve apresentar uma leve desaceleração em 2026, com o Produto Interno Bruto (PIB) projetado em 1,9%, ligeiramente abaixo dos 2% esperados para 2025. No entanto, essa projeção, calculada pela Fundação João Pinheiro (FJP), ainda supera a média nacional de 1,8%, evidenciando a força e a resiliência de setores estratégicos para o estado, como serviços e agronegócio.
O cenário econômico em 2026 será moldado por fatores como o desaquecimento da economia chinesa, a manutenção de juros em patamares elevados e as incertezas inerentes a um ano eleitoral. Esses elementos devem levar a uma maior cautela por parte de empresários e investidores, influenciando o ritmo dos negócios em Minas Gerais.
Apesar das projeções de desaceleração, a atividade econômica mineira tende a ser sustentada por segmentos robustos, ainda que em um ritmo mais prudente. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, a economia mineira em 2026 terá desafios, mas também mostrará sua capacidade de adaptação.
Desafios globais e internos impactam o crescimento
O presidente do Conselho de Economia da ACMinas, Guilherme Leão, destaca que 2025 foi um ano de crescimento moderado, tanto nacional quanto internacionalmente. Incertezas na política externa americana e os efeitos da política monetária contracionista, com a taxa de juros a 15% ao ano, afetaram o poder de consumo, especialmente em setores dependentes de crédito, como bens duráveis.
Um dos pontos de atenção é o comprometimento da renda familiar com o pagamento de juros, que chegou a 27%. Isso significa que mais de um quarto da renda é destinado a dívidas, impactando o consumo e o PIB, mesmo com o emprego em alta. A expectativa é que a taxa de juros permaneça elevada, pelo menos até o primeiro trimestre de 2026, com efeitos prolongados.
O ano eleitoral de 2026 também contribui para a cautela. A tendência de políticas fiscais expansionistas por parte do governo, como estratégia eleitoral, pode levar o Banco Central a manter uma postura conservadora na redução da taxa de juros. As emendas parlamentares, que somam R$ 61 bilhões, são um indicativo do gasto eleitoral previsto.
Agronegócio e indústria extrativa sob pressão
Setores estratégicos para Minas Gerais, como o agronegócio, podem enfrentar safras menos expressivas e uma demanda menor por commodities da China, principal parceira comercial do estado. O desaquecimento chinês afeta diretamente a indústria extrativa, que lida com excesso de estoque de minério e redução de investimentos no país asiático.
Essa conjuntura impacta as exportações de minério, com peso relevante na pauta produtiva mineira. Após um desempenho moderado em 2025, o otimismo para 2026 se concentra na manutenção desse ritmo, segundo Leão. A menor demanda chinesa por commodities é um dos principais entraves para um crescimento mais robusto.
Comércio e serviços: cautela e resiliência
Nos setores de comércio e serviços, a cautela se reflete nas projeções. O setor de serviços deve desacelerar, passando de uma alta de 3,6% em 2025 para 1,7% em 2026. Já o comércio deve manter uma trajetória de estabilidade, com crescimento projetado de 1,8%, semelhante a 2025, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O endividamento do consumidor e os juros elevados contribuem para essa cautela, afetando mais diretamente os mercados de bens duráveis e semiduráveis, como eletrodomésticos e veículos. Por outro lado, bens de consumo rápido, como alimentos e produtos farmacêuticos, devem apresentar desempenho mais estável, impulsionados pela demanda recorrente e essencial.
A isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil pode estimular o consumo, especialmente no varejo. Contudo, o impacto real dependerá de como o custo financeiro, com juros altos, afetará a renda líquida das famílias. Stefan D’Mata, conselheiro da Fiemg, ressalta que o setor de serviços continuará central na sustentação da atividade, mas com parte do crescimento vindo de aumentos de preços, o que pode dificultar a desinflação.
Mercado de trabalho: aquecido, mas com desafios de qualificação
Apesar das incertezas econômicas, o mercado de trabalho mineiro deve permanecer relativamente aquecido em 2026, embora com sinais de desaceleração. A taxa de desemprego, em patamares historicamente baixos, deve se estabilizar, sem deterioração brusca, mas também sem grandes quedas adicionais, segundo Fernando Sette Jr, do UniBH.
As empresas tendem a priorizar produtividade e controle de custos, com menor expansão agressiva de quadros. Setores como mineração, agronegócio e logística continuarão sustentando o emprego, mas com menor fôlego. O principal desafio persiste na qualificação da mão de obra, um gargalo que tende a se aprofundar com o avanço de setores mais intensivos em tecnologia e automação.
O descompasso entre a demanda por profissionais qualificados e a capacidade de formação do sistema educacional é um “paradoxo estrutural”. A demanda por profissionais ligados à indústria 4.0, energia, TI, saúde e logística crescerá mais rápido do que a oferta. Investimentos em educação técnica, requalificação e parcerias entre setor privado e instituições de ensino serão cruciais para transformar o mercado de trabalho em um vetor de crescimento.




