Real se fortalece e dólar recua com cenário externo favorável e fluxo de capital para o Brasil
O dólar à vista encerrou o último pregão de novembro em queda, devolvendo parte da alta da véspera e fechando cotado a R$ 5,3348, após registrar uma variação entre R$ 5,3245 e R$ 5,3570. A sessão foi marcada por menor liquidez devido ao pregão mais curto em Nova York, na ressaca do feriado de Ação de Graças, além da disputa pela última taxa Ptax de novembro e a rolagem de contratos futuros.
O real acompanhou o bom desempenho de outras moedas emergentes, refletindo a expectativa crescente de corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro e o enfraquecimento do índice DXY, que mede a força do dólar contra outras moedas fortes. Essa melhora no sentimento global e a busca por ativos de maior risco favoreceram moedas de países como Brasil, Colômbia e China.
O fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, que viu o Ibovespa atingir recordes, também contribuiu para o suporte ao real. Conforme análise divulgada pela Agência Estadão, o movimento combina correção técnica com o impacto do cenário externo.
Fatores externos e técnicos impulsionam valorização do Real
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, destacou que a queda do dólar foi influenciada por fatores técnicos de fechamento de mês e pela correção de altas recentes. “Ontem o dólar subiu um pouco e nesta sexta-feira, 28, vimos uma desaceleração, muito ligada a fatores técnicos de fechamento de mês e à correção dessas altas recentes”, afirmou, conforme a reportagem.
Anilson Moretti, head de câmbio da HCI Advisors, apontou que o pregão foi intensamente movimentado pela rolagem de contratos futuros e pela formação da Ptax, em um ambiente de maior fluxo para a Bolsa. Ele acrescentou que dados como o Caged abaixo do esperado, a tramitação de incentivos para dividendos, a pauta fiscal em discussão e a manutenção do rating do Brasil pela Moodys compõem o pano de fundo do mercado de câmbio.
Perspectivas para o Real em Dezembro e Limitações de Apreciação
Moretti avalia que a combinação de fluxo, juros elevados e um quadro externo mais benigno abre espaço para o dólar buscar os níveis de R$ 5,30 e até R$ 5,25 em dezembro. Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, reforça que o último pregão de novembro foi marcado por uma melhora do sentimento global e um maior apetite por risco, tanto no Brasil quanto no exterior. “O bom desempenho das moedas emergentes ao longo da semana reforçou o movimento favorável ao real”, comentou.
Apesar do cenário positivo, operadores permanecem atentos à discussão fiscal e ao ambiente político mais tenso no Brasil. Fatores como a derrubada de vetos à Lei do Licenciamento Ambiental, dúvidas sobre indicações ao STF e pressões por emendas parlamentares são vistos como limitadores de uma apreciação mais intensa do real, mesmo diante de um dólar globalmente mais fraco e de fluxo positivo para ativos domésticos.





