Dólar fecha em queda com exterior favorável e política local no radar, impulsionado por expectativas de corte de juros nos EUA e pesquisas eleitorais domésticas.
O dólar encerrou o pregão de terça-feira (2) em baixa frente ao real, marcando um recuo de 0,57% e fechando cotado a R$ 5,3303 na venda. A sessão foi marcada por um cenário internacional favorável à moeda brasileira, que se fortaleceu diante de uma cesta de divisas globais.
O desempenho positivo do real foi impulsionado, em grande parte, pela expectativa de que o Federal Reserve, banco central americano, anuncie um corte na taxa de juros já na próxima semana. Essa possibilidade reduziu a atratividade do dólar no mercado internacional, beneficiando moedas emergentes como o real.
No âmbito doméstico, pesquisas eleitorais divulgadas trouxeram otimismo ao mercado. Uma pesquisa da AtlasIntel, em particular, indicou uma redução na diferença entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno presidencial. Essas notícias políticas locais foram bem recebidas pelos investidores, contribuindo para a queda do dólar. Todas essas informações foram divulgadas pela Reuters.
Corte de Juros nos EUA e Dólar Globalmente Fraco
A perspectiva de que o Federal Reserve corte a taxa de juros na próxima semana continuou a ser um fator determinante para o desempenho dos ativos financeiros. No final da tarde, o mercado de títulos norte-americanos precificava em 89,2% a probabilidade de um corte de 25 pontos-base na taxa de juros, atualmente na faixa de 3,75% a 4,00%. Apenas 10,8% das apostas indicavam a manutenção da taxa.
Esse cenário de juros potencialmente mais baixos nos Estados Unidos diminuiu a atratividade do dólar, levando a moeda norte-americana a registrar perdas contra a maioria das principais divisas globais. O índice do dólar, que mede seu desempenho frente a uma cesta de seis moedas importantes, caiu 0,07%, alcançando 99,362 pontos.
Nesse contexto, o real se destacou, figurando entre as três moedas com os maiores ganhos ao longo do pregão. O movimento externo, portanto, criou um ambiente propício para a valorização da moeda brasileira.
Política Doméstica no Radar: Pesquisas e Tributação
No cenário político interno, a divulgação de uma pesquisa eleitoral pela AtlasIntel gerou repercussão positiva. O levantamento mostrou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, diminuiu a distância para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno para a disputa presidencial. Essa notícia foi vista como um fator favorável pelos mercados.
“Em dia de queda do DXY e pesquisa eleitoral favorável, o mercado melhorou geral. Temos questões externas e internas para motivar uma queda do câmbio aqui”, comentou José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, ressaltando a combinação de fatores que impulsionaram a queda da moeda americana.
Adicionalmente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto de lei que visa aumentar a tributação sobre apostas online e fintechs. A proposta inclui uma elevação gradual das alíquotas, o que também foi acompanhado pelo mercado.
Produção Industrial e Intervenção do Banco Central
No front macroeconômico, os dados mais recentes da produção industrial brasileira, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram um desempenho modesto. A produção industrial registrou uma alta de 0,1% em outubro na comparação com o mês anterior.
No entanto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção industrial apresentou uma queda de 0,5%. Os números ficaram abaixo das expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam uma alta de 0,4% na variação mensal e de 0,2% na base anual.
Em outra frente, o Banco Central atuou no mercado de câmbio, vendendo todos os 40.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados em rolagem no fim da manhã. Essa operação visa gerenciar a liquidez e influenciar a taxa de câmbio.




