Dólar recua e termina sessão em baixa ante o real, seguindo tendência externa e apostas em cortes de juros nos EUA.
O dólar americano iniciou a sessão desta terça-feira (25) em queda frente ao real, espelhando o comportamento da moeda norte-americana no cenário internacional. Quase todas as outras divisas globais também apresentaram desvalorização em relação ao dólar, em um dia marcado pelo aumento das apostas em um corte de juros nos Estados Unidos já em dezembro.
O dólar à vista fechou o dia com uma desvalorização de 0,35%, cotado a R$ 5,3761 na venda. No acumulado do ano, a moeda já registra perdas significativas de 12,99%. O contrato de dólar futuro para dezembro, principal referência no mercado brasileiro, também acompanhou a tendência, cedendo 0,28% e negociado a R$ 5,3790.
A principal força por trás dessa queda é a expectativa crescente de que o Federal Reserve, o banco central americano, inicie um ciclo de redução de juros. Conforme a ferramenta FedWatch da CME, o mercado de títulos norte-americanos precificava em 84,7% as chances de um corte de 25 pontos-base na taxa de juros dos EUA em dezembro, contra apenas 15,3% de probabilidade de manutenção.
Diferencial de Juros e Fluxo de Capital
Atualmente, a taxa de juros nos Estados Unidos se encontra na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Em contraste, a taxa básica de juros no Brasil, a Selic, está em 15% ao ano. Esse expressivo diferencial tem sido um fator crucial para atrair investimentos estrangeiros para o país, o que contribui para a manutenção do dólar em patamares mais baixos.
Em meio a esse cenário, o dólar à vista atingiu sua mínima intradia às 10h30, chegando a R$ 5,3570, uma queda de 0,71%. No entanto, logo em seguida, a moeda iniciou uma recuperação, com alguns agentes de mercado aproveitando as cotações mais baixas para realizar compras. “Ficou barato”, comentou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, indicando um movimento de recomposição da moeda por parte de investidores.
Volatilidade e Fatores Políticos
Apesar da tendência de queda, o dólar chegou a registrar uma alta na cotação máxima da sessão, às 11h50, alcançando R$ 5,4138, um avanço de 0,35%. Essa volatilidade ocorreu em paralelo à audiência do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Durante sua fala, Galípolo enfatizou que o objetivo do BC é perseguir o centro da meta de inflação, de 3%, e não a banda superior de 4,5%.
Adicionalmente, uma pesquisa CNT/MDA divulgada na mesma manhã apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenções de voto para a eleição presidencial do próximo ano. O levantamento também indicou um aumento na avaliação positiva do governo federal e na aprovação pessoal do presidente, fatores que podem influenciar a percepção de risco e a atratividade do Brasil para investidores.
Cenário Externo Favorece o Real
No fechamento da tarde, com o dólar em baixa em relação à maioria das divisas internacionais, a moeda americana voltou a perder força no mercado brasileiro. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda dos EUA contra uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,51% no exterior, operando a 99,693 pontos às 17h06. Essa desvalorização global do dólar reforçou a tendência de queda observada no Brasil, consolidando o cenário de valorização do real.





