Dólar à vista fecha perto da estabilidade contra o real, em um dia de movimentos mistos no cenário internacional.
O dólar encerrou o pregão desta quinta-feira (04) com pouca variação frente ao real, apagando parte das quedas observadas mais cedo. A divisa americana apresentou um desempenho misto em relação a outras moedas globais, refletindo dados econômicos e expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos.
Na venda, o dólar à vista fechou em leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,3103. Enquanto isso, o contrato de dólar futuro para janeiro de 2026, um dos mais negociados, registrou leve alta de 0,01%, alcançando R$ 5,3415 na B3.
A estabilidade relativa do dólar está atrelada à divulgação de indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho americano. Alguns desses dados reforçaram a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) poderá iniciar cortes nas taxas de juros em breve.
Mercado Expectativa Corte de Juros nos EUA
A ferramenta FedWatch, do CME Group, indica que o mercado precifica uma probabilidade de 87% de que o Fed promova um corte de 25 pontos-base em sua próxima reunião. Essa expectativa de juros mais baixos nos EUA tende a tornar o dólar menos atrativo globalmente, o que pode beneficiar moedas emergentes como o real.
No entanto, o índice do dólar, que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas importantes, apresentou leve alta de 0,12%, chegando a 99,018. Essa movimentação externa contribuiu para que o real, que operou boa parte da manhã abaixo dos R$ 5,30, revertesse parte de seus ganhos durante a tarde devido a ajustes técnicos.
Desempenho do Real e Perspectivas Econômicas
Eduardo Aun, gestor de fundos multimercados da AZ Quest, comentou que o real tem acompanhado a performance de outras moedas de países emergentes nos últimos meses. Ele projeta que a tendência de valorização da moeda brasileira possa se estender até o final do ano.
“Os dados do payroll podem dar uma direção melhor sobre o futuro da política monetária americana e mexer nas moedas na segunda quinzena do mês, inclusive no real”, afirmou Aun, destacando a importância dos próximos indicadores de emprego nos EUA para definir o rumo das moedas.
PIB Brasileiro Abaixo do Esperado
No cenário doméstico, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 0,1% no terceiro trimestre em comparação com o período anterior. Esse resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa de 0,2% projetada por analistas em pesquisa da Reuters.
Na comparação anual, o PIB do terceiro trimestre cresceu 1,8%, superando a expectativa de alta de 1,7%. Apesar desse dado, os números consolidados do ano reforçam a percepção de um esfriamento da economia brasileira, com expansões mais modestas no primeiro e segundo trimestres, de 1,5% e 0,3%, respectivamente, em dados revisados pelo IBGE.
A volatilidade do dólar e as dinâmicas econômicas, tanto nos EUA quanto no Brasil, continuam sendo pontos cruciais para a observação do mercado financeiro nas próximas semanas, com os investidores atentos aos desdobramentos da política monetária americana e aos indicadores de atividade econômica global e local.




