Dólar fecha em alta ante o real, ignorando o exterior e preocupando o mercado
O dólar encerrou a sessão de segunda-feira em território positivo contra o real, um movimento que destoou do cenário internacional, onde a moeda americana apresentava recuo frente à maioria das outras divisas. Participantes do mercado apontam o tradicional fluxo de saída de recursos em dezembro como um dos principais responsáveis por essa valorização da moeda no Brasil.
A divisa americana à vista fechou o dia com uma alta de 0,47%, alcançando R$5,3606 na venda. Apesar deste avanço pontual, o dólar ainda acumula uma desvalorização significativa de 13,24% no acumulado do ano, demonstrando a volatilidade do câmbio.
O contrato de dólar futuro para janeiro, que representa o principal termômetro para as negociações futuras, também acompanhou a tendência de alta, subindo 0,42% e sendo negociado a R$5,3930 na B3.
Cenário Externo Contrasta com o Brasil: Iene Forte e Dólar Fraco
No cenário global, o dia foi marcado pela fraqueza do dólar. A moeda norte-americana cedeu terreno contra várias divisas, com destaque para o iene. Essa desvalorização foi influenciada por declarações do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, que sinalizou que as condições econômicas do país asiático estão se alinhando para um possível aumento das taxas de juros.
Inicialmente, o dólar no Brasil tentou seguir o viés de queda observado no exterior, mas essa tendência se inverteu rapidamente. Após atingir uma mínima de R$5,3274 às 9h14, a moeda americana reverteu o quadro e marcou sua máxima de R$5,3626 no final da tarde, já próximo ao fechamento do mercado.
Motivos para a Alta: Fluxo Sazonal e Olhar nas Questões Locais
Analistas atribuem a divergência do Brasil em relação ao exterior a uma combinação de fatores. Fernando Bergallo, diretor da FB Capital, menciona o foco do mercado nas questões internas do país, o fluxo de saída de recursos típico de fim de ano e o movimento de realização de lucros por parte de investidores estrangeiros na bolsa brasileira.
Um operador de mercado, em contato com a Reuters, reforçou a tese do fluxo de fim de ano, quando empresas e fundos tendem a remeter dólares para o exterior. Além disso, ele destacou a persistente preocupação com a conjuntura local, especialmente com temas que impactam o equilíbrio fiscal do governo.
Banco Central e a Comunicação sobre Juros: Selic Restritiva por Tempo Indeterminado
Investidores também estiveram atentos aos comentários do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante um evento em São Paulo. Galípolo reiterou a postura de política monetária restritiva, enfatizando que o termo “bastante prolongado” para a manutenção da taxa Selic não é zerado a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Ele explicou que a menção a um período “bastante prolongado” já é utilizada há algum tempo e que essa contagem de prazo não se reinicia. A taxa Selic encontra-se atualmente em 15% ao ano, e o mercado aguarda o início do ciclo de cortes de juros, enquanto a taxa nos Estados Unidos está entre 3,75% e 4,00%, com expectativas de novas reduções.
Projeções Econômicas e Intervenção do BC
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, indicou que os economistas mantiveram a projeção de 15% para a Selic ao final deste ano e 12% para o final de 2025. As expectativas para o dólar no fim de 2025 e 2026 ficaram em R$5,40 e R$5,50, respectivamente.
Em uma ação para mitigar a volatilidade, o Banco Central realizou a venda de 50.000 contratos de swap cambial tradicional, visando a rolagem do vencimento de 2 de janeiro.
No exterior, o índice do dólar, que compara a moeda americana com uma cesta de seis outras divisas principais, apresentava leve queda de 0,03% às 17h05, cotado a 99,412. Em relação ao iene, o dólar recuava 0,45%, negociado a 155,45.




