Dólar despenca quase 2 anos após EUA e Irã fecharem acordo: entenda o impacto no seu bolso - Brasa Noticias

Dólar despenca quase 2 anos após EUA e Irã fecharem acordo: entenda o impacto no seu bolso

Dólar em queda livre: acordo EUA-Irã impulsiona moeda a menor patamar em quase dois anos

O dólar americano registrou uma queda expressiva ante o real, atingindo o menor valor em quase dois anos. Essa desvalorização ocorreu após os Estados Unidos e o Irã chegarem a um acordo para um cessar-fogo de duas semanas, com o Irã aceitando reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.

A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 5,1035, uma baixa de 1,00%. Este é o menor valor de fechamento desde 17 de maio de 2024, quando a divisa fechou em R$ 5,1031. No acumulado do ano, o dólar já recua 7,02%, demonstrando uma forte tendência de baixa.

O acordo, que ocorreu na noite de terça-feira, visa suspender o bloqueio do transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz. A expectativa de normalização do fluxo de energia globalmente impactou positivamente os mercados de risco e fez o petróleo tipo Brent cair. Conforme informação divulgada pela Reuters, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, comunicou que Teerã interromperá os contra-ataques e garantirá passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

Euforia nos mercados globais e emergentes

A notícia do cessar-fogo gerou euforia nos investidores ao redor do mundo, impulsionando ativos de maior risco. No mercado de câmbio, isso se traduziu na queda do dólar frente a diversas moedas, incluindo as de países emergentes como o real brasileiro, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

Durante o pregão, o dólar à vista chegou a atingir a cotação mínima de R$ 5,0659, uma desvalorização de 1,73% às 10h25, refletindo o otimismo inicial dos mercados com o acordo. Embora tenha recuperado parte da força durante a tarde, a moeda americana manteve uma baixa firme no fechamento do dia.

Análise do Banco Central e fluxo cambial

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, comentou que a desvalorização do real após o início do conflito entre EUA e Irã não foi significativamente diferente de outros pares. Ele destacou que o Brasil já enfrentou momentos de maior volatilidade no câmbio no passado, como no período entre o fim de 2024 e o início de 2025.

David explicou que o real tende a acompanhar os ciclos de alta e baixa das moedas globais, mas possui um “beta” elevado, o que significa que sua variação pode ser maior em determinados momentos. Em paralelo, o Banco Central informou que o Brasil registrou um fluxo cambial total negativo de US$ 6,335 bilhões em março, primeiro mês da guerra no Oriente Médio, embora essa informação não tenha impactado as cotações no curto prazo.

Dólar em queda no exterior, mas com nuances

No cenário internacional, o dólar também seguia em queda ante a maioria das divisas no fim da tarde. No entanto, a moeda americana apresentava alguns ganhos em relação a outras moedas fortes. O índice do dólar, que mede seu desempenho contra uma cesta de seis moedas principais, subia 0,11%, a 99,028, indicando um comportamento misto no fechamento do dia.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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