Dólar despenca para R$ 5,17: Tesouro dos EUA anuncia recompra de títulos e alivia mercados globais

Dólar em queda livre: Tesouro dos EUA movimenta mercados com recompra de títulos e impulsiona o real a R$ 5,17

O dólar americano apresentou uma acentuada queda frente ao real nesta quarta-feira (19), acompanhando uma tendência global de desvalorização da moeda. A notícia que agitou os mercados foi o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos sobre a possibilidade de dobrar o volume de recompra de títulos de longo prazo.

Essa perspectiva de injetar mais liquidez no sistema financeiro trouxe alívio para os mercados de renda fixa, tanto nos EUA quanto na Europa e no Japão. O movimento estimulou o apetite por ativos de risco e, curiosamente, ofuscou a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, que não teve impacto significativo no comportamento do dólar.

O dólar à vista, que atingiu uma mínima de R$ 5,1566 durante a manhã, encerrou o dia em baixa de 0,86%, cotado a R$ 5,1766. Esta é a primeira vez em três pregões que a moeda fecha abaixo da marca de R$ 5,20, conforme divulgado pela Agência Estadão.

Real se destaca em meio a incertezas eleitorais

Apesar da queda expressiva desta quarta-feira, o dólar ainda acumula uma valorização de 1,83% na semana e 2,09% em agosto, após registrar perdas em julho. Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, explica que a decisão do Tesouro americano de recomprar títulos sinaliza uma intenção de conter a alta das taxas de juros de longo prazo, o que enfraquece o dólar globalmente, chegando a valorizar até mesmo o iene.

O real, por sua vez, demonstrou um dos melhores desempenhos entre as moedas de países emergentes, recuperando parte das perdas recentes. Essas perdas foram atribuídas ao realinhamento de carteiras por investidores estrangeiros, que reduziram sua exposição a ativos brasileiros devido à proximidade das eleições presidenciais.

Perspectivas para o câmbio no cenário eleitoral

Weigt adverte que a valorização do real observada pode ser de curto prazo. Ele não acredita em uma apreciação sustentada do câmbio até a definição das eleições. Há a expectativa de que, caso Luiz Inácio Lula da Silva seja eleito, o dólar possa subir, mas uma eventual recuperação seria possível com o anúncio de um ajuste fiscal. Em contrapartida, a vitória de um candidato de direita poderia levar a uma apreciação mais significativa do real.

Analistas do Commerzbank, Norman Liebke e Michael Pfister, preveem que o real continuará sob pressão até as eleições de outubro, com a taxa de câmbio podendo atingir R$ 5,30. Contudo, eles esperam uma apreciação nos últimos dois meses do ano, sustentada pela política monetária conservadora do Banco Central.

Juros e projeções para o futuro do câmbio

A expectativa do mercado é de apenas um corte adicional na taxa Selic em 2026, para 13,75%, mantendo o juro real próximo de 10%. Os analistas projetam que a taxa de câmbio possa se estabilizar em R$ 5,20 com a diminuição dos riscos políticos e, idealmente, alcançar R$ 4,80 ao final de 2027.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,87% no final da tarde, operando perto de sua mínima. As taxas dos Treasuries de 10 e 30 anos também cederam, enquanto o papel de dois anos, mais sensível às decisões do Fed, operou com viés de alta.

Ata do Fed: inflação sob vigilância

Leonardo Costa, economista do ASA, analisou a ata do encontro de política monetária do Fed em julho, destacando a preocupação contínua da instituição com a inflação. Apesar da existência de uma ala mais dura, com três dirigentes votando por uma alta nos juros, o consenso para um aumento imediato não foi alcançado. O documento reflete uma avaliação anterior aos dados de inflação mais favoráveis divulgados na semana passada e não detalha as divergências internas no encontro.

Costa ressalta que o Comitê do Fed permanece majoritariamente em modo de espera, mas com uma parcela significativa pronta para defender novas altas, mantendo um cenário de vigilância constante sobre a inflação.

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