Dia dos Pais: R$ 30 Bilhões em Movimento nas Capitais, TikTok Dispara e Filhos Priorizam Presentes Mesmo com Dívidas

Dia dos Pais movimenta economia, mas acende alerta sobre endividamento familiar

A celebração do Dia dos Pais promete injetar quase R$ 30 bilhões na economia das capitais brasileiras. A data, marcada pelo afeto e pela busca por presentes ideais, revela um comportamento de consumo complexo, onde a emoção muitas vezes se sobrepõe à razão financeira.

Enquanto as vitrines e anúncios online, especialmente no Instagram e buscadores, ditam tendências, a influência do TikTok cresce exponencialmente. Contudo, as decisões de compra são fortemente guiadas por preços, promoções e a comodidade do frete grátis.

A pesquisa aponta para um cenário onde muitos consumidores, mesmo em dificuldades financeiras, priorizam o presente, levantando preocupações sobre o aprofundamento do endividamento. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, a força cultural da data e o desejo de agradar são os principais motivadores, mas exigem atenção para evitar que o afeto se transforme em um fardo financeiro.

Influência digital e fatores de decisão no comércio

As vitrines e exposições de produtos seguem como o principal meio de influência para as compras de Dia dos Pais, com 32% dos consumidores apontando essa preferência. Em seguida, anúncios no Instagram (31%) e em buscadores (30%) demonstram o peso do ambiente digital nas decisões. A indicação de amigos e familiares ainda é relevante, com 29% dos consumidores.

O TikTok surge como uma força ascendente, com 24% de influência e o maior crescimento entre todas as plataformas avaliadas. Essa ascensão indica uma mudança no comportamento de busca e descoberta de produtos, especialmente entre o público mais jovem.

Critérios de escolha e o poder das promoções

Na hora de escolher onde comprar, os consumidores priorizam o preço, promoções e descontos, citados por 49% dos entrevistados. A qualidade dos produtos (45%) e o frete grátis (35%) também são fatores decisivos.

A rapidez na entrega (26%) e a facilidade de pagamento (25%) completam os cinco critérios mais importantes para viabilizar a compra. Esses dados reforçam a importância de estratégias comerciais focadas em valor e conveniência para atrair o consumidor nesta data.

A origem do dinheiro para o presente

A maior parte dos compradores, 62%, utiliza o próprio salário ou renda mensal para adquirir o presente de Dia dos Pais. No entanto, uma parcela significativa, 19%, ainda não sabe de onde virá o dinheiro, mas demonstra confiança em encontrar uma solução.

Outros 13% planejam redirecionar recursos reservados para outras finalidades. Apenas 4% recorrem a empréstimos ou crédito rotativo, indicando uma resistência, ainda que parcial, ao endividamento imediato para a compra.

Risco de superendividamento e prioridades financeiras

Um alerta preocupante surge com a revelação de que 14% dos compradores pretendem deixar de pagar alguma conta para viabilizar a compra do presente. Isso evidencia que o Dia dos Pais alcança consumidores em situação financeira fragilizada, aumentando o risco de aprofundamento do endividamento.

Do grupo de inadimplentes, 37% já possuem contas em atraso, e 73% destes estão com o nome negativado. O levantamento mostra que 30% reconhecem gastar além de suas possibilidades, impulsionados pelo afeto (31%) ou pelo desejo de impressionar (23%).

Estratégias para não deixar a data passar em branco

Para garantir que o presente seja dado mesmo com o orçamento apertado, 57% dos consumidores adotam estratégias. As mais comuns incluem adiar compras pessoais como roupas ou eletrônicos (24%) e cortar gastos supérfluos, como saídas e delivery (21%).

O parcelamento, mesmo cientes do aperto financeiro nos meses seguintes, é outra tática utilizada por 20% dos compradores. Essas medidas demonstram a determinação em presentear, mesmo que isso exija sacrifícios financeiros.

A influência das redes sociais e o poder do afeto

A maioria dos compradores, 66%, afirma que postagens de presentes nas redes sociais não pautam seu consumo. Contudo, 34% admitem algum grau de influência, com 20% sentindo uma pressão moderada para gastar mais em presentes “postáveis” e 14% sofrendo pressão total para ostentar marcas ou presentes visualmente impactantes.

“O grande alerta deste ano fica por conta da parcela de consumidores que, mesmo enfrentando dificuldades para manter as contas em dia ou já lidando com a inadimplência, opta por priorizar o presente em detrimento de seus compromissos básicos. Essa escolha deliberada de colocar o coração à frente do bolso mostra a força cultural da data, mas também acende um sinal amarelo para o risco de superendividamento das famílias em um momento econômico ainda delicado”, alerta Merula Borges, especialista em finanças da CNDL.

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