Desemprego no Brasil repete menor taxa histórica de 5,4% em outubro de 2025, aponta PNAD
A taxa de desocupação no Brasil atingiu 5,4% no trimestre encerrado em outubro de 2025, igualando o menor patamar já registrado desde 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados pelo IBGE. O resultado consolida uma trajetória de melhora no mercado de trabalho, mesmo diante de indicações de um ritmo mais lento na atividade econômica.
Em comparação com o trimestre anterior, encerrado em junho de 2025, a taxa de desocupação recuou 0,2 ponto percentual, saindo de 5,6% para 5,4%. Já na comparação anual, a queda foi de 0,7 ponto percentual, visto que em outubro de 2024 o desemprego estava em 6,2%.
A população desocupada também atingiu seu menor nível na série histórica, com 5,9 milhões de pessoas. Houve uma redução de 207 mil pessoas desocupadas na comparação trimestral e de 788 mil na comparação anual. Ao mesmo tempo, o número de pessoas ocupadas permaneceu estável em 102,5 milhões, alcançando um recorde histórico.
Ocupação em Alta e Carteiras Assinadas Batem Recorde
O nível de ocupação atingiu 58,8%, demonstrando a força do mercado de trabalho. Um dos destaques é o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que renovou seu recorde, chegando a impressionantes 39,182 milhões de pessoas. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o alto contingente de ocupados contribui para a redução da pressão por vagas, auxiliando na queda da taxa de desocupação.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho também apresentou seu menor nível histórico, registrando 13,9%. O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas caiu para 4,572 milhões, o menor volume desde 2016. A força de trabalho potencial recuou para 5,2 milhões, o menor nível desde 2015, e a população desalentada diminuiu significativamente.
Desempenho Setorial e Informalidade Estável
Apesar da estabilidade geral no emprego, a PNAD Contínua revela dinâmicas distintas entre os setores. Houve crescimento em Construção, com alta de 2,8% (ou 156 mil pessoas), e em Administração Pública, com elevação de 1,8% (ou 70 mil pessoas). Em contrapartida, Outros Serviços registrou queda de 2,8% (-156 mil pessoas).
Na comparação anual, Serviços de Informação, Atividades Imobiliárias, Agricultura, Produção Industrial e Comércio apresentaram variações positivas. Contudo, Outros Serviços e Serviços Domésticos tiveram retrações de 3,6% e 5,7%, respectivamente.
A taxa de informalidade se manteve estável em 37,8%, o que corresponde a 38,7 milhões de trabalhadores. Embora a informalidade tenha se estabilizado, o emprego formal continua em expansão, com o setor público registrando 12,9 milhões de empregados, um crescimento de 2,4% em um ano.
Renda Real Bate Novo Recorde Histórico
A massa de rendimento real atingiu um novo recorde histórico de R$ 357,3 bilhões, representando uma alta de 5% em relação ao ano anterior. O rendimento médio real habitual permaneceu estável no trimestre, mas apresentou crescimento de 3,9% em comparação com 2024. Setores como Informação e Atividades Imobiliárias, Administração, Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais destacaram-se pelas maiores altas de rendimento anual.
Economistas, como Leonardo Costa do ASA, observam que o mercado de trabalho começa a sentir, ainda que lentamente, os efeitos da desaceleração econômica. Ele aponta para uma moderação gradual, apesar dos indicadores robustos. Maykon Douglas, outro economista, avalia que os números são mistos, sugerindo que a queda no desemprego pode ser mais reflexo de uma leve retração na taxa de participação do que de uma criação expressiva de vagas.
Apesar das nuances, o cenário geral aponta para um mercado de trabalho ainda resiliente, com baixas taxas de desocupação e crescimento contínuo da renda, mas com indícios de que o ritmo de expansão pode diminuir nos próximos meses, refletindo a defasagem entre a atividade econômica e o emprego.





