Governo Central registra déficit de R$ 83,8 bilhões até novembro de 2025, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, segundo dados do Tesouro Nacional.
O cenário fiscal brasileiro apresentou uma deterioração significativa em 2025, com o déficit do Governo Central atingindo a marca de R$ 83,8 bilhões no acumulado de janeiro a novembro. Este resultado representa um crescimento expressivo de 25% em comparação com o mesmo período de 2024, quando o rombo nas contas públicas somou R$ 67 bilhões, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional.
O desempenho negativo em novembro foi um dos principais responsáveis por esse avanço, frustrando as expectativas do mercado financeiro e elevando a percepção de risco fiscal no curto prazo. A combinação de queda na arrecadação e aumento de gastos tem sido o principal motor dessa piora.
Essa conjuntura reforça o desafio que o governo enfrenta para manter o equilíbrio das contas públicas, exigindo atenção especial às despesas e à eficiência na gestão das receitas. O aumento do déficit acende um sinal de alerta para a sustentabilidade fiscal do país.
Déficit mensal de novembro surpreende e eleva preocupações
O mês de novembro de 2025 registrou um déficit primário de R$ 20,2 bilhões, um valor consideravelmente superior aos R$ 4,5 bilhões observados no mesmo mês do ano anterior. Economistas projetavam um resultado menos adverso, o que intensificou as preocupações com a saúde fiscal no curto prazo.
A comparação com 2024 evidencia a piora do quadro. Naquele ano, apesar dos desafios, o resultado fiscal de novembro foi menos pressionado tanto pelas receitas quanto pelas despesas. Em 2025, a queda na arrecadação e o crescimento das despesas agravaram o desequilíbrio.
Queda na arrecadação e alta nos gastos puxam resultado para baixo
A receita total do Governo Central em novembro de 2025 somou R$ 218,4 bilhões, apresentando uma queda real de 2,6% em relação ao ano anterior. Essa retração impactou diretamente o resultado primário e contribuiu para o aumento do déficit acumulado.
Entre os fatores que explicam a queda na arrecadação, destacam-se a redução de R$ 6,9 bilhões em dividendos e participações, e uma retração expressiva de R$ 4,7 bilhões em concessões e permissões. O crescimento do Imposto de Renda, que avançou R$ 5,1 bilhões, não foi suficiente para compensar essas perdas.
Do lado das despesas, o Governo Central viu um crescimento real de R$ 7,1 bilhões em novembro. Esse aumento acima da inflação reflete o desafio contínuo de controle de gastos, especialmente em um cenário de rigidez orçamentária.
Os benefícios previdenciários lideraram esse aumento, com uma alta real de R$ 3 bilhões, o que representa um crescimento de 3,9%. As despesas discricionárias também apresentaram um avanço significativo, subindo R$ 3,9 bilhões, um aumento real de 27,3% na comparação anual.
Previdência Social segue como principal fator de desequilíbrio fiscal
O déficit do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) atingiu R$ 321,2 bilhões nos 12 meses encerrados em novembro de 2025. Este número reforça o papel central da Previdência como o principal motor do desequilíbrio nas contas públicas brasileiras.
A receita líquida previdenciária também registrou queda real de 4,8% em novembro, totalizando R$ 166,9 bilhões. Essa redução ocorre em um contexto de desaceleração econômica e desafios no mercado de trabalho formal.
As despesas primárias do Governo Central subiram 3,4% em termos reais no acumulado do ano, passando de R$ 1,9 trilhão para R$ 2,1 trilhões, evidenciando a dificuldade em conter gastos obrigatórios.
Déficit de 0,47% do PIB e peso do setor público na economia
No acumulado de 12 meses até novembro de 2025, o resultado primário do Governo Central foi deficitário em R$ 57,4 bilhões, o que equivale a 0,47% do Produto Interno Bruto (PIB). Este indicador é monitorado de perto por analistas e agências de risco.
As despesas do Governo Central alcançaram 18,81% do PIB no mesmo período, demonstrando o peso considerável do setor público na economia. Esse patamar elevado limita a capacidade do governo de expandir investimentos sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Quando somados o RGPS, o RPPS Civil e as pensões e inativos militares, o déficit previdenciário ampliado totalizou R$ 442,6 bilhões em 12 meses, correspondendo a 3,5% do PIB. Esse dado sublinha o caráter estrutural do problema previdenciário no Brasil.




