Datafolha aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula em simulação de segundo turno, revelando consolidação do cenário eleitoral de 2026.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) tem se firmado como a principal força de oposição ao presidente Lula (PT) nas projeções para a próxima disputa presidencial. Uma nova pesquisa do Datafolha indica que o senador fluminense não só se aproxima do petista no primeiro turno, como também empata tecnicamente com ele em simulações de segundo turno, marcando 43% das intenções de voto contra 46% de Lula.
Este levantamento é o primeiro realizado pelo instituto desde o lançamento oficial da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, impulsionada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Inicialmente recebida com ceticismo, a candidatura ganhou tração, especialmente entre eleitores que buscam uma alternativa ao governo atual. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A força da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é evidenciada pela intenção de voto espontânea, onde ele surge com 12%, um aumento significativo em relação à pesquisa anterior, onde não era citado. Lula, por sua vez, oscilou de 24% para 25%. O ex-presidente Jair Bolsonaro, embora inelegível, aparece com 3% das menções espontâneas.
Lula mantém liderança, mas vantagem diminui em cenários de primeiro turno
O Datafolha testou cinco cenários distintos para o primeiro turno da eleição presidencial. Em todas as simulações, Lula se mantém à frente, porém sua vantagem tem mostrado tendência de queda. No cenário mais provável atualmente, Lula aparece com 38% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 32%. Outros nomes testados, como Ratinho Jr. (PSD) e Romeu Zema (Novo), aparecem com 7% e 4%, respectivamente.
Em um cenário alternativo envolvendo Fernando Haddad (PT) como candidato, Flávio Bolsonaro levaria vantagem, com 33% contra 21% de Haddad. A performance de Flávio Bolsonaro nos embates diretos com Lula varia entre 32% e 34%, demonstrando uma capacidade de mobilização considerável em seu eleitorado.
Polarização se acentua com alta rejeição a ambos os líderes
A polarização entre os dois principais pré-candidatos se reflete nos índices de rejeição. Lula, após quase dois mandatos completos, é rejeitado por 46% dos eleitores, que afirmam que nunca votariam nele. Flávio Bolsonaro, apesar de sua relativa inexperiência em disputas nacionais, carrega o peso do sobrenome e enfrenta uma rejeição de 45%.
Ambos os pré-candidatos possuem alto grau de conhecimento popular, com apenas 1% afirmando nunca ter ouvido falar de Lula e 7% sobre Flávio Bolsonaro. Para Ratinho Jr., a situação é mais favorável nesse aspecto, com 19% de rejeição e 38% de desconhecimento, o que pode representar um potencial de crescimento.
Fatores externos e conjuntura econômica influenciam o cenário eleitoral
Diversos fatores conjunturais podem impactar a corrida eleitoral. Escândalos recentes, como o do Banco Master, embora ainda não atinjam diretamente o núcleo do governo, aumentam a percepção de corrupção. A atenção voltada ao ministro Alexandre de Moraes e sua atuação em investigações relacionadas a supostas tramas golpistas também podem favorecer o discurso bolsonarista.
Adicionalmente, o escândalo do INSS, que envolve o filho de Lula, Fábio Luís, e as incertezas econômicas, como o impacto da guerra no Oriente Médio e as altas taxas de juros, podem gerar descontentamento, especialmente na classe média. A perda de fôlego do PIB em 2025, devido a essas questões, pode acentuar a insatisfação com o governo.
Distribuição geográfica e demográfica do eleitorado molda o embate
Em relação à distribuição geográfica e demográfica, Lula mantém uma base sólida no Nordeste, entre católicos e eleitores de menor escolaridade e renda. Sua força entre aqueles que ganham até dois salários mínimos é de 42%.
Flávio Bolsonaro se destaca entre evangélicos, moradores do Sul e do Norte/Centro-Oeste, regiões historicamente redutos de seu pai. Sua melhor performance é entre os evangélicos, onde atinge 48% do eleitorado, um estrato que representa 28% da amostra pesquisada.





