Busca por crédito registra queda em fevereiro, enquanto inadimplência se mantém como barreira para consumidores brasileiros
A procura por crédito no Brasil apresentou uma retração significativa em fevereiro de 2026, caindo 8,44% em comparação com o mês anterior. Este cenário, conforme apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), contrasta com um crescimento de 7,08% no volume de consultas realizadas pelo setor financeiro no mesmo período, quando comparado a fevereiro de 2025.
A análise do perfil dos consumidores que buscaram crédito revela que o público masculino foi o predominante, representando 54,54% do total. Na faixa etária, a maior concentração de consultas ocorreu entre 40 e 49 anos, respondendo por 24,30% das operações. Apesar do interesse, apenas 1,52% desse público conseguiu efetivar a contratação de algum serviço de crédito.
“A inadimplência é o principal fator de exclusão financeira no Brasil”, afirma José César da Costa, presidente da CNDL. Ele destaca que manter o nome limpo é crucial para obter crédito de qualidade, pois a inadimplência eleva as taxas de juros, tornando o financiamento mais caro para todos, inclusive para os bons pagadores.
Grupos Financeiros e Restrições Ativas Dominam Consultas
No que diz respeito aos grupos financeiros que realizaram as consultas em fevereiro, a intermediação monetária com depósitos à vista liderou, com 45,83% das participações. Em seguida, vieram as atividades auxiliares dos serviços financeiros, com 20,48%, totalizando 66,31% das consultas. É importante notar que, no momento da consulta, um percentual considerável de 36,93% dos consumidores apresentava alguma restrição ativa em seu CPF.
Regiões com Maior Procura e o Impacto da Inadimplência
A região Sudeste concentrou a maior parte das consultas em fevereiro, com 45,78% do total. O Nordeste seguiu com 20,92%, o Sul com 17,54%, o Centro-Oeste com 8,77% e o Norte com 6,99%. Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil, aponta a queda sazonal como um fator, mas ressalta que a barreira da inadimplência é o ponto mais alarmante.
“Com quase 37% dos interessados apresentando restrições no CPF, o mercado enfrenta um gargalo: há vontade de consumir, mas falta saúde financeira para a aprovação”, alerta Pellizzaro Júnior. Ele explica que esse cenário de alto risco eleva as taxas de juros, criando um ciclo difícil de romper para o consumidor médio, que acaba pagando mais caro pelo crédito devido à inadimplência sistêmica no país.
O Ciclo Vicioso do Crédito Caro
A alta taxa de inadimplência impacta diretamente o valor do crédito. Quando o risco de inadimplência aumenta, as instituições financeiras precisam compensar possíveis perdas, o que geralmente resulta na elevação das taxas de juros. Isso torna o crédito menos acessível e mais caro, não apenas para aqueles com restrições, mas para todo o mercado.
A falta de acesso a crédito de qualidade para uma parcela significativa da população brasileira, devido a pendências financeiras, gera um efeito cascata. Consumidores com bom histórico financeiro acabam sendo prejudicados por um sistema que precifica o risco de forma mais elevada, dificultando o planejamento e a realização de projetos pessoais e familiares.





