CPMI do INSS avança em investigações e convoca figuras chave do setor financeiro e político para esclarecimentos sobre empréstimos consignados
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS deu um passo significativo em suas investigações ao aprovar a convocação de importantes nomes ligados ao mercado financeiro e à política. Entre os convocados estão o dono do Banco Master, Wilson Vorcaro, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A decisão surge em meio a um volume crescente de reclamações sobre a oferta de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), enfatizou a necessidade de ouvir Vorcaro para entender a atuação do Banco Master, instituição que, segundo ele, figura entre as que mais registram queixas relacionadas a crédito consignado. A coleta de informações sobre as movimentações financeiras do empresário, produzida pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), também foi aprovada.
A CPMI, conforme divulgado pelo Diário do Comércio, também direcionou convocações para dirigentes de outros bancos, como Daycoval, Pan, Agibank e BMG. No entanto, pedidos para ouvir representantes de Santander, Crefisa, C6 e da Zema Financeira foram rejeitados pela comissão. As informações foram compiladas com base em reportagem do Diário do Comércio.
Dono do Banco Master é chamado para explicar alta taxa de reclamações sobre consignados
A convocação de Wilson Vorcaro, proprietário do Banco Master, visa esclarecer a atuação da instituição na oferta de produtos financeiros, especialmente o crédito consignado. O deputado Alfredo Gaspar destacou que o elevado número de reclamações recebidas pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) nos últimos anos justifica a necessidade de prestar depoimento.
Além da convocação do empresário, a CPMI aprovou o envio de um relatório de inteligência financeira sobre as movimentações bancárias de Vorcaro, elaborado pelo Coaf. Este material pode fornecer subsídios importantes para a investigação sobre a conduta do banco.
Governador Romeu Zema convocado para prestar esclarecimentos sobre Zema Financeira
Em uma decisão que gerou protestos da oposição, a CPMI aprovou a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O pedido, apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), baseia-se na alegação de que a Zema Financeira, empresa ligada ao governador, teria sido uma das beneficiárias da Medida Provisória (MP) 1.106 de 2022.
Essa medida provisória, editada durante o governo de Jair Bolsonaro, permitiu a oferta de empréstimos consignados para beneficiários do Bolsa Família, então chamado de Auxílio Brasil. Segundo o deputado Correia, a Zema Financeira foi uma das poucas instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a oferecer essa linha de crédito, que permite o desconto das parcelas diretamente do benefício.
A defesa de Romeu Zema enviou uma nota à CPMI solicitando sua não convocação, argumentando que o governador deixou a empresa Zema Financeira após vencer a eleição em 2018 e, portanto, não teria como esclarecer sobre a atuação da instituição. Contudo, o deputado Rogério Correia rebateu, afirmando que Zema, embora tenha deixado a direção para cumprir a legislação, permanece como acionista da empresa, assim como outros membros de sua família, que detêm a totalidade das ações.
Debate sobre convocação versus convite marca sessão da CPMI
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) lamentou a aprovação da convocação de Romeu Zema, defendendo que um convite seria mais adequado. Ela ressaltou que o governador se colocou à disposição para ser convidado e que sua presença na comissão poderia ser uma oportunidade para demonstrar transparência na gestão pública.
A diferença entre convocação e convite é que a primeira obriga a pessoa a comparecer perante a comissão, enquanto o segundo se baseia na voluntariedade. A decisão de convocar o governador indica que a CPMI considera sua presença essencial para o andamento das investigações sobre a oferta de empréstimos consignados e suas possíveis irregularidades.




