Copom Alerta: ‘Serenidade e Cautela’ Essenciais na Política Monetária Diante de Incertezas Globais e Inflação Acima da Meta

Copom mantém discurso de cautela e serenidade na condução da política monetária em meio a cenário de incertezas

O Comitê de Política Monetária (Copom) reiterou a importância de manter a serenidade e a cautela na gestão da política monetária. A decisão surge em um contexto marcado por um significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base.

Essa postura é fundamental para assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida. O Copom afirmou que continuará a incorporar novas informações e a acompanhar a evolução do cenário econômico, garantindo a restrição monetária adequada para atingir esse objetivo.

As informações foram divulgadas na ata da reunião de agosto do colegiado, realizada na última quarta-feira, 5. Na ocasião, o Copom optou por um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo-a de 14,25% para 14,00%. Este foi o quarto corte consecutivo, sinalizando uma flexibilização gradual da política monetária.

Ciclo de Calibração e Histórico da Selic

Desde março, os juros básicos da economia já acumulam uma queda de 1,0 ponto percentual. Essa redução faz parte de um “ciclo de calibração” cauteloso iniciado pelo Banco Central, em resposta às incertezas geradas por fatores como a Guerra do Irã e seus impactos na cadeia global de suprimentos, bem como nos preços de commodities e na inflação geral.

Anteriormente, o Copom manteve a taxa Selic em 15%, patamar que vigorou por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026. Esse período representou o maior nível da taxa em quase duas décadas, refletindo o compromisso com o controle inflacionário.

Compatibilidade da Redução da Selic com Metas de Inflação

O Copom reafirmou que a recente decisão de reduzir a Selic está em plena compatibilidade com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Além de seu objetivo primordial de assegurar a estabilidade de preços, a medida visa suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

As projeções para a inflação foram mantidas conforme o comunicado anterior. O colegiado prevê uma alta de 5,1% para o IPCA em 2026, o que se situa acima do teto da meta de inflação (4,5%), e de 3,8% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, a projeção para a inflação acumulada em 12 meses é de 3,2%.

Projeções Detalhadas para Preços Livres e Administrados

No que diz respeito aos preços livres, as projeções indicam altas de 5,1%, 3,9% e 3,1% para os períodos de 2026, 2027 e 2028, respectivamente. Para os preços administrados, as estimativas apontam para elevações de 4,9%, 3,5% e 3,5% nos mesmos períodos.

É importante notar que todas essas projeções foram elaboradas com base no cenário de referência. Este cenário considera a trajetória de juros do Relatório Focus de 3 de agosto, bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027, taxa de câmbio iniciando em R$ 5,10 e evoluindo conforme a paridade do poder de compra (PPC), e preços do petróleo seguindo a curva futura por seis meses, com aumento posterior de 2% ao ano.

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