Construção em Minas: Custo dispara 8,25% em 2024, impulsionado por alta de 12,84% na mão de obra e desafios no transporte de materiais

Construção em Minas Gerais sente forte impacto com alta de custos; mão de obra e materiais elevam CUB
O custo da construção civil em Minas Gerais apresentou uma elevação expressiva de 8,25% entre janeiro e julho deste ano. O índice, conhecido como Custo Unitário Básico (CUB/m²), superou significativamente a inflação oficial do país, que acumulou 3,5% no mesmo período, segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).
A economista-chefe do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos, explica que os principais vilões por trás dessa escalada são os componentes com maior peso no indicador: a mão de obra e os materiais. Esses dois fatores juntos foram responsáveis pela maior parte do aumento observado.
No detalhe, o custo com materiais subiu 3,61% nos primeiros sete meses do ano. Contudo, o item que mais pressionou o bolso dos construtores foi a mão de obra, que registrou um aumento de impressionantes 12,84% no mesmo período, conforme divulgou o Sinduscon-MG.
Mercado de Trabalho Aquecido e Negociações Salariais Elevam Custo da Mão de Obra
A alta expressiva na mão de obra está diretamente ligada ao cenário do mercado de trabalho brasileiro, que vive um momento de pleno emprego, com taxas de desocupação historicamente baixas, em torno de 5,6%. Essa escassez de trabalhadores qualificados dificulta as contratações em diversos setores, incluindo a construção civil.
Além da dificuldade de encontrar profissionais, a convenção coletiva dos trabalhadores da construção, firmada no final do ano passado, também impactou os custos a partir de janeiro, com reajustes salariais que se refletiram diretamente no CUB.
Conflitos Geopolíticos e Logística Aumentam Preço dos Materiais
Embora com um avanço mais moderado que a mão de obra, os materiais de construção também contribuíram para a alta do CUB. O aumento de 3,61% no custo dos materiais de janeiro a julho pode ser parcialmente explicado pelos efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. A instabilidade nos preços do petróleo, decorrente desses conflitos, encareceu o valor do diesel.
Esse aumento no preço do combustível impactou diretamente os custos de transporte (frete), elevando o preço de insumos básicos como areia, brita, tijolos e concreto. As empresas do setor, que não costumam manter grandes estoques de materiais como concreto e areia, ficam mais expostas a essas variações de preço, tendo que absorver a volatilidade.
Ritmo de Alta Desacelera, Mas Custos Permanecem Elevados
Apesar do acumulado expressivo no ano, a economista Ieda Vasconcelos aponta que o ritmo de aumento do CUB apresentou uma desaceleração em junho e julho. Esse movimento é atribuído a uma relativa acomodação nos preços dos materiais após a instabilidade inicial ligada ao mercado de petróleo.
A mão de obra, que já havia sofrido um reajuste significativo no início do ano devido à convenção coletiva, também apresentou menor pressão adicional nos meses mais recentes. No entanto, o custo geral da construção em Minas Gerais continua avançando em um ritmo superior ao da inflação, pressionando as empresas do setor.
CUB Não Reflete o Preço Final do Imóvel
É importante ressaltar que o CUB, que em julho para o projeto-padrão R8-N (edificação com oito pavimentos e acabamento normal) ficou em R$ 2.548,75/m², não representa o preço de venda de um imóvel nem o custo total de uma obra. Segundo o Sinduscon-MG, este valor se refere ao “custo básico do básico”, não incluindo itens como terreno, elevadores, fundações, entre outros custos que compõem o valor final de um empreendimento.