Confiança da indústria avança em 19 setores, mas maioria ainda permanece abaixo de 50 pontos
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) Setorial apresentou uma melhora significativa entre outubro e novembro de 2025, abrangendo todos os portes de empresas e quatro das cinco regiões do Brasil. Ao todo, 19 dos 29 setores analisados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) registraram alta no indicador.
Apesar do avanço, a desconfiança ainda predomina entre os industriais, com 20 setores avaliados permanecendo abaixo da marca de 50 pontos, que simboliza otimismo. Apenas nove setores conseguiram superar esse patamar, um aumento em relação aos cinco registrados no mês anterior.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que a melhora está muito ligada às expectativas mais positivas das empresas sobre si mesmas e sobre a economia brasileira. Contudo, a percepção sobre a própria economia e o impacto da elevação da taxa de juros continuam penalizando o setor industrial e segurando uma recuperação mais robusta da confiança.
Pequenas e médias empresas mostram sinais de recuperação
O Icei cresceu pelo segundo mês consecutivo em todas as faixas de tamanho de empresa. As pequenas indústrias registraram um aumento de 1,6 ponto, atingindo o maior nível desde janeiro, com 48,3 pontos. As médias empresas tiveram a terceira elevação seguida, chegando a 48,7 pontos.
As grandes empresas, por sua vez, apresentaram um avanço de 0,3 ponto, alcançando 48,9 pontos. Embora ainda abaixo da linha dos 50 pontos, a proximidade desse limite indica que a falta de confiança está se tornando menos disseminada, mostrando uma redução na desconfiança de outubro para novembro.
Centro-Oeste lidera alta regional, mas Sudeste e Sul ainda sentem insegurança
Em novembro, a confiança industrial aumentou em quatro regiões brasileiras, enquanto o Nordeste manteve-se estável. O Centro-Oeste voltou a se destacar, com uma alta de 3,5 pontos, retornando ao território de confiança com 53,1 pontos, após oscilações fortes nos meses anteriores.
A região Norte viu o indicador crescer 1,8 ponto, alcançando 48,6 pontos. O Sudeste e o Sul registraram o terceiro mês seguido de alta, com avanços de 0,5 e 1,2 ponto, respectivamente. No entanto, ambas as regiões continuam abaixo dos 50 pontos, sinalizando a persistência da falta de confiança entre os industriais.
Setores de destaque e os que ainda lutam para ganhar confiança
Entre os setores com maior confiança, destacam-se Perfumaria, limpeza e higiene pessoal (56,9 pontos), Farmoquímicos e farmacêuticos (53,5 pontos), Extração de minerais não-metálicos (51,5 pontos) e Máquinas e materiais elétricos (51,1 pontos). Esses segmentos demonstram um cenário mais otimista.
Por outro lado, os setores que ainda enfrentam maior desconfiança incluem Biocombustíveis (40,6 pontos), Couros e artefatos de couro (41,7 pontos), Metalurgia (42,4 pontos) e Máquinas e equipamentos (45,4 pontos). Esses dados, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), refletem os desafios enfrentados por diferentes áreas da economia brasileira.




