Cocatrel prevê safra histórica de café, com aumento de até 10% e investimentos massivos em infraestrutura e inovação
A Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), com sede em Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, antecipa um cenário promissor para a safra atual de café. A expectativa é de um crescimento de 8% a 10%, o que pode significar a recepção de até 2,05 milhões de sacas. Esse desempenho positivo é fruto de estratégias focadas na atuação coletiva, que visa ampliar a eficiência de seus cerca de 9,5 mil cooperados, especialmente os pequenos e médios produtores.
O cooperativismo tem se mostrado um pilar fundamental para o sucesso da Cocatrel. A união de forças permite ganhos de escala na aquisição de insumos e fortalece o poder de negociação dos produtores, aproximando os preços pagos pelos menores aos praticados para os maiores. Essa abordagem colaborativa é essencial em um mercado volátil e competitivo.
Além da força coletiva na compra e venda, a Cocatrel oferece um leque completo de serviços que visam a excelência na produção de café. Desde assistência agronômica e análises de solo até o acesso a novas tecnologias e práticas sustentáveis, a cooperativa se dedica a capacitar seus membros. Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, a entidade também investe no estímulo à sucessão rural, engajando jovens por meio da inovação e da produção de cafés de alta qualidade.
Estratégias de Crescimento e Investimento em Infraestrutura
A Cocatrel não mede esforços para garantir o aprimoramento contínuo de seus cooperados e da infraestrutura da cooperativa. O foco está em maximizar os resultados das propriedades rurais e garantir que os produtores recebam o devido reconhecimento e remuneração por seus esforços. Isso inclui orientações detalhadas sobre os procedimentos pós-colheita que influenciam diretamente a qualidade da bebida.
A cooperativa estima que, das 2 milhões de sacas esperadas para a safra atual, cerca de 400 mil sejam classificadas como cafés comerciais finos. Uma parcela ainda mais expressiva, entre 150 mil e 200 mil sacas, deve se enquadrar na categoria de cafés de altíssima qualidade, destinados ao exigente mercado de cafeterias. Essa diversificação e foco na qualidade são chaves para a valorização do produto.
Os investimentos recentes da Cocatrel já ultrapassam R$ 33 milhões, aplicados em melhorias como novos armazéns com capacidade para 100 mil sacas e a nova sede do departamento Cocatrel Direct Trade (CDT), focado na exportação de cafés especiais. Para os próximos quatro a cinco anos, a projeção é ainda mais ambiciosa, com um aporte previsto entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões em ampliações e novas infraestruturas.
O Projeto Cafeína Cocatrel: Empoderamento Feminino na Cafeicultura
Um dos projetos de destaque da Cocatrel é o Cafeína Cocatrel, iniciativa que desde 2019 busca fortalecer o protagonismo feminino no setor cafeeiro. O programa oferece capacitação, aprimora a gestão das propriedades e facilita o acesso a mercados que remuneram melhor o café produzido por mulheres. Atualmente, cerca de 800 mulheres participam ativamente do projeto, que visa capacitá-las em todas as etapas do negócio do café, desde o manejo até a gestão financeira.
As ações do Cafeína Cocatrel incluem cursos, palestras, dias de campo e treinamentos focados em produção, pós-colheita e qualidade do café. Um programa específico, o Primeiros Passos, acolhe mulheres que ingressaram na cafeicultura sem experiência prévia, oferecendo um ambiente de aprendizado e troca de saberes. Essa iniciativa tem gerado não apenas pertencimento, mas também melhorias concretas na gestão e nos resultados financeiros das propriedades.
A cooperativa também tem explorado mercados internacionais interessados em cafés produzidos por mulheres, com rastreabilidade e identificação clara da origem. Esses cafés já chegam a 24 países, com vendas de blends e lotes identificados com o nome das cafeicultoras, além de comercialização em cafeterias próprias e na loja online. Segundo Lúcio Caldeira, diretor de Marketing e Relacionamento da Cocatrel, a valorização desses cafés pode representar um acréscimo de R$ 150 a R$ 200 por saca em comparação com cafés especiais de padrão equivalente produzidos por homens.
Minas Gerais: Um Gigante do Café no Cooperativismo
Minas Gerais se consolida como o principal estado produtor de café do Brasil, respondendo por cerca de 46% da produção nacional. As cooperativas desempenham um papel crucial nesse cenário, com quase 64% do café produzido no estado passando por uma delas em 2025, o que equivale a 29% de toda a produção brasileira. O Sistema Ocemg informa que o estado conta com 52 cooperativas de café, reunindo aproximadamente 118 mil cooperados e gerando mais de 10 mil empregos diretos.
No último ano, as cooperativas de café mineiras movimentaram cerca de R$ 50 bilhões, um crescimento expressivo de 36% em relação ao período anterior. Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, destaca que essa expansão se deve à valorização do café, ao aumento da produção e ao trabalho dedicado dos produtores. O modelo cooperativista, segundo Scucato, garante escala para atuar em grandes mercados e mantém milhares de produtores integrados à economia, gerando emprego, comércio e renda nos municípios produtores.
A organização dos produtores em cooperativas é vista como essencial para superar os desafios do setor, como oscilações de preços, custos elevados e riscos climáticos. As cooperativas oferecem melhores condições para que os cafeicultores enfrentem essas adversidades, promovendo o desenvolvimento produtivo e financeiro de Minas Gerais e de seus produtores.




