Espetáculo ‘Nas Águas de Clara’ celebra a vida e obra da cantora mineira com entrada gratuita em BH
A cidade de Belo Horizonte se ilumina com a arte e a memória de Clara Nunes. Na próxima quinta-feira (4), o Museu da Moda – Mumo, localizado no Centro da capital, será palco do espetáculo ‘Nas Águas de Clara’. O projeto promete uma imersão na trajetória da artista, exaltando sua força feminina, sua fé inabalável e suas profundas raízes afro-brasileiras e mineiras.
A apresentação, que tem entrada gratuita, busca conectar o público com a herança artística de Clara Nunes através de uma linguagem contemporânea e sensível. O idealizador do projeto, Aldherizo, explica que a intenção é ampliar o alcance cultural da obra da cantora, reafirmando o papel da mulher na música popular brasileira e incentivando o diálogo entre arte, ancestralidade e identidade.
“Queríamos ampliar o alcance cultural à obra da Clara Nunes, promovendo o encontro entre o público e sua herança artística por meio de uma linguagem contemporânea, viva e sensível”, afirma Aldherizo. Ele destaca a importância de valorizar a cultura mineira e nacional, celebrando o pioneirismo e a influência duradoura de Clara Nunes.
Música e Dança se Unem para Evocar o Universo de Clara Nunes
O espetáculo ‘Nas Águas de Clara’ não é apenas um concerto, mas uma experiência que revisita grandes sucessos da cantora, como ‘O Mar Serenou’, ‘Canto das Três Raças’ e ‘A Deusa dos Orixás’. Essas canções icônicas serão entrelaçadas com cenas poéticas e coreográficas, inspiradas pelo universo simbólico das águas, um elemento central na vida e na espiritualidade de Clara Nunes.
A força da apresentação reside na fusão entre a música e a dança, elementos que juntas dão vida às múltiplas facetas da artista. A proposta visa explorar a profunda conexão de Clara Nunes com os orixás, como Iemanjá, Nanã, Oxumaré, Oxum e Iansã, traçando paralelos com as diversas fases de sua vida, marcadas por conceitos como pioneirismo, ancestralidade e coragem.
A Genialidade de Clara Nunes: Pioneirismo e Conexão com as Raízes
Aldherizo revela que a inspiração para o projeto surgiu durante a pandemia, a partir de uma pesquisa sobre compositores e intérpretes mineiros. A constatação de que Clara Nunes completaria 80 anos em 2022, sem grande alarde, despertou seu interesse em aprofundar a pesquisa sobre a artista.
A pesquisa revelou uma Clara Nunes profundamente conectada às raízes culturais de Minas Gerais, o que inspirou uma abordagem autoral que mescla tradição e inovação. “Minha pesquisa revelou uma Clara profundamente conectada às raízes culturais de Minas Gerais, inspirando uma abordagem autoral que une tradição e inovação”, explica Aldherizo.
O ator e pesquisador ressalta o pioneirismo admirável de Clara Nunes. Ela foi a primeira cantora a vender mais de 100 mil discos e a assumir com orgulho a beleza de seus cabelos crespos e indumentárias de matriz africana, em uma sociedade ainda marcada pelo machismo. Esses temas, segundo Aldherizo, são muito atuais e transcendem a cultura, a música e o próprio tempo.
Um Ato de Fé, Resistência e Ancestralidade em BH
O espetáculo ‘Nas Águas de Clara’ é descrito por Aldherizo como um ato de conexão com a fé, a resistência e a ancestralidade. A iniciativa se propõe a reverenciar o poder do feminino sagrado e o papel de Clara Nunes na valorização da cultura nacional. Além disso, busca contribuir para a luta contra o preconceito de gênero, étnico-racial e religioso.
A apresentação no Museu da Moda acontece em diálogo com a exposição ‘Clara Nunes: Eu Sou a Tal Mineira’, que também está em cartaz no local. A iniciativa visa proporcionar ao público uma experiência completa, unindo a apreciação do espetáculo à imersão na vida e obra da cantora através da exposição.
Para participar, é necessário retirar os ingressos gratuitamente através da plataforma Sympla. O espetáculo ‘Nas Águas de Clara’ promete ser um momento emocionante e de profunda reflexão sobre o legado de uma das maiores artistas brasileiras.
O Elenco e a Direção por Trás do Homenagem
No palco, Aldherizo divide a cena com a participação especial de Júnia Bertolino, que traz sua voz e sua dança inspirada nos Orixás. A banda que acompanha os artistas é formada por músicos talentosos: Augusto Cordeiro no violão, Débora Costa e Daniel Guedes na percussão, e Pablo Dias no cavaco. A direção geral do espetáculo é assinada por Sérgio Nicássio, garantindo a coesão e a qualidade artística da produção.
A colaboração entre os artistas e a equipe criativa promete entregar uma performance memorável, que honra com justiça a memória e o impacto cultural de Clara Nunes. O projeto reafirma a importância de manter viva a obra de artistas que moldaram a identidade musical e cultural do Brasil.




