Chapada de Minas conquista selo de Indicação Geográfica e entra no mapa dos cafés de excelência no Brasil
A região da Chapada de Minas, localizada no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, está em festa. A conquista da Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP), anunciada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), representa um marco para cerca de 5,8 mil produtores cafeeiros.
Este importante reconhecimento abrange 22 municípios e valida a qualidade e a origem do café produzido na área, que tem uma produção anual estimada em 400 mil sacas. A iniciativa é resultado de um esforço conjunto que visa valorizar o trabalho dos cafeicultores e fortalecer a economia local, gerando mais de 20 mil empregos diretos e indiretos.
A certificação coloca a Chapada de Minas em um seleto grupo de regiões brasileiras com proteção territorial para seus cafés. Em Minas Gerais, esta é a sétima zona cafeeira a receber tal distinção, somando-se a um portfólio nacional que agora conta com 156 Indicações Geográficas, sendo 124 Indicações de Procedência e 32 Denominações de Origem. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, essa conquista é fruto de quase uma década de trabalho árduo e dedicação.
Um processo de governança e padronização
Segundo Carmem Lídia Junqueira, presidente do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM), a organização da governança regional foi fundamental. “Essa conquista é resultado de um trabalho árduo, construído com dedicação e perseverança ao longo dos anos”, afirma. A padronização de critérios técnicos e práticas produtivas foi decisiva para o sucesso do pedido.
Ulisses Godinho, proprietário da Fazenda Poço Dantas em Capelinha, destaca a importância histórica do reconhecimento. “Quando começamos, ninguém conhecia o café da Chapada de Minas. Esse reconhecimento traz visibilidade para a região e valorização para o nosso produto”, comenta.
Impacto no mercado e valorização do produtor
A Indicação Geográfica formaliza a origem dos cafés produzidos em municípios como Araçuaí, Berilo, Carbonita, Chapada do Norte, Comitê, Congonhas do Norte, Coroaci, Coronel Murta, Francisco Badaró, Itamarandiba, Jenipapo de Minas, José Gonçalves de Minas, Leme do Prado, Minas Novas, Parentes, Pescador, Salinas, São Gonçalo do Rio Abaixo, São João da Ponte, São Sebastião da Vargem Alegre, Senador Modestino Gonçalves e Turmalina. A expectativa é que o selo amplie a visibilidade comercial e fortaleça a negociação dos produtores, especialmente os de pequeno porte.
Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, ressalta o aumento da competitividade. “Além do impacto econômico, os cafés da Chapada de Minas ajudam a consolidar a identidade regional, desenvolvimento da produção e do comércio, reconhecimento de mercado e competitividade para os diversos produtores no cenário nacional e internacional”, observa.
Rastreabilidade e sustentabilidade como diferenciais
A certificação também altera a percepção do mercado sobre a região. “Agora, todos vão conseguir saber a procedência do café. Nós vamos começar a trabalhar com rastreabilidade, para as pessoas em qualquer lugar do mundo conhecerem os produtores e saberem que a gente trabalha de forma séria e sustentável”, explica Carmem Junqueira.
O processo de qualificação envolveu consultorias técnicas, capacitações e programas de gestão, como o Educampo, elevando o padrão do produto e a profissionalização dos produtores. A organização de concursos regionais de qualidade e a maior aproximação com compradores e torrefadores também foram passos importantes.
O futuro do café da Chapada de Minas
A Indicação de Procedência garante formalmente a origem do produto e estabelece critérios técnicos comuns, sendo a rastreabilidade um foco principal para conectar a produção ao consumidor final. “Para manter a qualidade, é preciso bom trato cultural durante o ano, acompanhamento técnico e processo pós-colheita bem feito. A rastreabilidade também é fundamental”, afirma Ulisses Godinho.
A expectativa é que o selo atraia compradores dispostos a pagar mais por cafés de origem identificada, beneficiando especialmente os pequenos produtores e impulsionando o desenvolvimento sustentável da Chapada de Minas.




