Carta de Bolsonaro Tenta Unir Família Dividida: Crise com Michelle e Flávio Bolsonaro Volta à Tona

A família Bolsonaro em crise: Carta de Jair busca acalmar ânimos em meio a polêmicas com Michelle e Flávio
A divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro, na qual ele designa o filho Flávio Bolsonaro como seu pré-candidato e porta-voz, marca mais um capítulo na intensa divisão familiar que tem ganhado força nas últimas semanas. A publicação surge como resposta a uma crise recente, iniciada após declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro expressou ter sido maltratada pelo enteado Flávio após discordar da aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. A polêmica escalou com trocas de farpas e declarações públicas, expondo as divergências internas do clã. A carta de Jair Bolsonaro, lida por Flávio em suas redes sociais, visa justamente conter esses conflitos e unificar a direita sob uma única voz.
A publicação da carta ocorre enquanto Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março de 2025, após quatro meses em regime fechado, com restrições de visitas e proibição de se manifestar em redes sociais por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A situação pessoal do ex-presidente adiciona uma camada de complexidade à dinâmica familiar e política em jogo. Conforme informação divulgada pela Folhapress, a carta busca evitar “falas conflituosas ou direções diferentes” dentro do grupo.
Indireta em evento no Ceará
Em um ato político no Ceará, o deputado federal André Fernandes (PL) fez uma declaração que foi interpretada como uma indireta a Michelle Bolsonaro. Fernandes expressou saudades do ex-presidente, referindo-se a ele como “nosso galego”, uma alusão à forma como Michelle se dirige a Jair Bolsonaro, buscando reforçar a ideia de um líder que pertence a todos, em um possível contraponto às críticas de Michelle.
Michelle Bolsonaro deixa a presidência do PL Mulher
No final de junho, Michelle Bolsonaro comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sua saída da presidência do PL Mulher, alegando que a decisão foi combinada com o marido. Dias depois, Valdemar Costa Neto extinguiu a presidência nacional do PL Mulher, justificando que “mulheres arrumam problemas umas com as outras” e que ninguém estaria à altura da ex-primeira-dama. A equipe de Michelle, posteriormente, criou um perfil chamado “ImparáveisMB” para divulgar seus trabalhos.
Declarações polêmicas e críticas mútuas
As tensões se intensificaram com declarações de aliados, como o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras, e criticou Michelle Bolsonaro por ser “feminista”. Flávio Bolsonaro se distanciou publicamente dessas falas. Em contrapartida, em junho, Michelle publicou vídeos acusando Flávio de desrespeito e de não querer seu apoio, questionando a aliança do PL com Ciro Gomes e relatando ataques de enteados após apoiar o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Michelle relatou que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela e que, ao retornar a ligação, foi ríspido, dizendo que ela deveria se afastar das decisões políticas. Flávio, em nota, negou ter humilhado a ex-primeira-dama, mas pediu desculpas caso a tivesse ofendido. A ex-primeira-dama também criticou indiretamente Flávio em relação à eleição para o TCU, apoiando publicamente a deputada Soraya Santos, cuja candidatura foi retirada em um acordo político.
A disputa no Ceará e o episódio da “bananinha frita”
Em dezembro passado, Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro se uniram contra a madrasta nas redes sociais, criticando posturas que consideraram autoritárias de Michelle em relação à aproximação do PL Ceará com Ciro Gomes. Os irmãos defenderam que a aliança teve o aval do ex-presidente. Outro episódio de tensão ocorreu em fevereiro, quando Eduardo Bolsonaro insinuou que Michelle e Nikolas Ferreira não apoiavam suficientemente a pré-campanha de Flávio. A resposta de Michelle, com uma imagem de “banana frita” para o então preso Jair Bolsonaro, foi interpretada por aliados de Eduardo como deboche, devido ao apelido pejorativo “bananinha” dado ao filho do ex-presidente.
A carta de Jair Bolsonaro, portanto, surge em um contexto de fortes embates públicos e privados, onde a união familiar e política se encontra sob severa pressão. A nomeação de Flávio como porta-voz é uma tentativa clara de centralizar a comunicação e mitigar os efeitos das divergências que têm marcado o clã.