Carne Bovina Brasileira: Volume Cai em Março, Mas Receita Dispara com Valorização e China Liderando Compras - Brasa Noticias

Carne Bovina Brasileira: Volume Cai em Março, Mas Receita Dispara com Valorização e China Liderando Compras

Queda no Volume, Alta na Receita: O Cenário da Exportação de Carne Bovina Brasileira em Março

As exportações de carne bovina do Brasil em março apresentaram um cenário misto. Embora o volume embarcado tenha sofrutido uma queda de 6,65%, totalizando 270,53 mil toneladas, a receita cambial registrou um expressivo aumento de 21,42%, alcançando US$ 1,476 bilhão. Essa discrepância aponta para uma valorização significativa dos preços da carne bovina no mercado internacional, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O segmento de carne bovina in natura, que representa aproximadamente 90% das vendas externas, demonstrou resiliência. Em março, os embarques de carne in natura cresceram 8,95%, chegando a 233,79 mil toneladas. A receita gerada por esses embarques foi de US$ 1,36 bilhão, um avanço de 29,14% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa performance, contudo, indica uma desaceleração em comparação com os meses de janeiro e fevereiro, que registraram crescimentos mais acentuados.

No acumulado do primeiro trimestre do ano, as exportações totais de carne bovina, incluindo industrializados e subprodutos, somaram US$ 4,32 bilhões, o que representa um crescimento de 32,29% em comparação com o mesmo período de 2025. O volume total embarcado atingiu 827,64 mil toneladas, um aumento de 10,98%. A carne in natura foi a grande responsável por esses números, respondendo por US$ 3,98 bilhões no trimestre, com um aumento de 37,45% e um volume de 700,98 mil toneladas, uma alta de 19,92%.

China Lidera Demanda por Carne Bovina Brasileira

A China se consolidou como o principal destino da carne bovina brasileira. No primeiro trimestre, o país asiático gerou receitas de US$ 1,816 bilhão, um aumento expressivo de 41,83%. O volume exportado para a China atingiu 325,68 mil toneladas, com uma alta de 39,35%. Os preços médios praticados com a China também apresentaram elevação, com um aumento de 15%, chegando a US$ 5.578 por tonelada. Dessa forma, a China respondeu por 46,4% do volume total exportado e 45,6% da receita com carne in natura.

Estados Unidos e União Europeia Ampliam Compras

Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição como comprador de carne bovina brasileira, impulsionados por um déficit interno de oferta. As exportações de carne in natura para os EUA cresceram notavelmente, com um aumento de 60,96% em valor, atingindo US$ 588,98 milhões, e um crescimento de volume de 28,51%, totalizando 98,17 mil toneladas. Os preços médios para os EUA subiram 25,25%, aproximando-se de US$ 6.000 por tonelada.

A União Europeia também demonstrou um aumento na demanda. As vendas de carne in natura para o bloco europeu avançaram 29,48% em receita, alcançando US$ 187,96 milhões, e 21,16% em volume, com 21,71 mil toneladas. Os preços médios para a União Europeia foram de US$ 8.656 por tonelada, um acréscimo de 6,86%. No total, as exportações para o bloco europeu somaram US$ 251,57 milhões, um crescimento de 49,84%.

Outros Mercados em Alta e Cota Tarifária na China

Outros mercados importantes também registraram expansão nas importações de carne bovina brasileira. O Chile ampliou suas compras em 27,6% em volume e 36,9% em valor no trimestre. A Rússia apresentou um crescimento ainda mais robusto, com alta de 73,4% no volume e 91,1% na receita. O México também mostrou um desempenho consistente, com avanço de 37,5% no volume e 55,6% no valor.

No primeiro trimestre, um total de 106 países aumentaram suas importações de carne bovina brasileira, enquanto apenas 49 reduziram suas compras, segundo a Abrafrigo. Um ponto de atenção é a cota tarifária para a China, onde as exportações brasileiras já podem ter alcançado cerca de 42,86% da cota disponível ao Brasil no primeiro trimestre de 2026. A cota total estabelecida é de 1,106 milhão de toneladas, livre da tarifa extraquota de 55%.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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