Braskem em busca de fôlego: Recuperação extrajudicial pode reestruturar mais de US$ 10 bilhões em dívidas
A Braskem está em negociações avançadas com seus credores para uma possível recuperação extrajudicial, com o objetivo de reestruturar uma dívida que ultrapassa os US$ 10 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 51,6 bilhões.
A empresa enfrenta um cenário financeiro delicado, marcado por um ciclo de baixa na indústria petroquímica e custos adicionais provenientes do desastre da exploração de sal-gema em Alagoas. A necessidade de um acordo se torna ainda mais urgente com o vencimento, em 24 de agosto, de uma medida cautelar que oferecia proteção à companhia.
Conforme informações divulgadas pela Reuters, a petroquímica busca uma solução que lhe permita negociar condições de pagamento mais flexíveis, evitando um colapso financeiro. O processo de recuperação extrajudicial, previsto na legislação brasileira, é uma ferramenta que visa a reorganização de débitos e a preservação das operações da empresa, e não implica em falência automática.
Entenda o processo de recuperação extrajudicial e o que está em jogo
A recuperação extrajudicial é um mecanismo legal que permite à empresa negociar diretamente com seus credores um plano de reestruturação de dívidas. Ao contrário da recuperação judicial, a negociação é feita previamente com grupos específicos de credores, e o acordo resultante pode ser levado à Justiça para homologação. Este processo oferece uma alternativa para reorganizar obrigações financeiras sem a necessidade de um processo judicial mais amplo.
A Braskem precisa encontrar uma estrutura de pagamento que se adeque à sua capacidade de geração de caixa e, ao mesmo tempo, seja aceita pelos detentores de seus títulos de dívida. Recentemente, a empresa apresentou uma melhora em alguns indicadores financeiros no primeiro trimestre de 2026, com um EBITDA recorrente de R$ 1 bilhão e lucro líquido de R$ 1,4 bilhão. No entanto, a pressão financeira permanece elevada devido ao volume de obrigações acumuladas.
Uma proposta anterior da companhia, que previa cinco anos de carência para o pagamento do principal da dívida e dois anos e meio para os juros, foi rejeitada pelos credores. A expectativa é que as negociações atuais possam incluir um período de 90 dias de suspensão das cobranças, conhecido como ‘stay period’, para dar mais tempo à reestruturação.
Dívida da subsidiária mexicana e a complexidade internacional
Além dos débitos no Brasil, a Braskem também avalia alternativas para a dívida de aproximadamente US$ 2 bilhões de sua subsidiária no México. Uma das possibilidades em estudo é o pedido de ‘Chapter 11’ nos Estados Unidos, um mecanismo similar à recuperação judicial que permite à empresa continuar operando enquanto reestrutura suas dívidas sob supervisão judicial. Essa ação poderia ser coordenada com a reestruturação brasileira, adicionando uma camada de complexidade ao processo.
Estrutura acionária e o futuro da Braskem
A estrutura acionária da Braskem passou por mudanças recentes, com a entrada da IG4 Capital na companhia. Em junho, foi anunciada uma nova configuração de governança envolvendo a IG4 e a Petrobras, buscando combinar a expertise em reestruturação da gestora com a experiência técnico-industrial da Petrobras. Essa mudança ocorre em um momento de forte pressão sobre o setor petroquímico e a situação financeira da empresa.
O que acontece agora e o que está em jogo?
O principal desafio para a Braskem é encontrar uma solução que reduza a pressão financeira sem comprometer suas operações. Para os credores, a negociação definirá o montante a ser recuperado e as condições para isso. Para a empresa, um acordo pode significar previsibilidade financeira e a possibilidade de evitar um agravamento da situação. A dimensão internacional das dívidas, envolvendo operações no Brasil, Estados Unidos e Europa, torna o processo ainda mais complexo.
Até 24 de agosto, a Braskem precisa avançar significativamente nas negociações. O fim da proteção concedida pela medida cautelar torna a definição do caminho da reestruturação uma prioridade. A recuperação extrajudicial é uma das alternativas em discussão, mas o mercado aguarda os desdobramentos das conversas com os credores e os termos de eventual plano de reestruturação.




