Bolsa Família: Reajuste para R$ 691 tem 64% de apoio, revela pesquisa Datafolha, enquanto debate eleitoral se intensifica.
O programa Bolsa Família passará por uma atualização significativa em seus valores a partir de outubro de 2026. O benefício mínimo por família será elevado de R$ 600 para R$ 691, um reajuste de 15,04% definido pelo governo federal. Essa mudança visa recompor as perdas inflacionárias, com o percentual definido pela variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, conforme publicado no Decreto nº 13.120.
Além do piso, o valor médio do programa também sofrerá alteração, com projeção de aumento de R$ 675 para aproximadamente R$ 777 mensais. Esta é a primeira atualização pela inflação desde a reformulação do programa em 2023. O anúncio do reajuste, realizado em 17 de setembro, gerou amplo debate, especialmente pela proximidade com o primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro.
Uma pesquisa Datafolha, divulgada em 1º de outubro, aponta que o aumento do Bolsa Família conta com amplo apoio popular. Segundo o levantamento, 64% dos eleitores são favoráveis à medida, enquanto 31% se posicionaram contra. O índice de aprovação entre os próprios beneficiários do programa atingiu expressivos 83%, e entre os não beneficiários, o apoio foi de 58%. A pesquisa ouviu presencialmente 2.506 eleitores em 152 municípios entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Apoio amplo e diferenças de renda
A pesquisa Datafolha também destacou diferenças de aprovação de acordo com a faixa de renda familiar. Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, 73% aprovaram o reajuste do Bolsa Família. Já na faixa com renda superior a cinco salários mínimos, o percentual de aprovação foi de 55%. Essa disparidade reforça a percepção de que o programa tem um impacto mais direto e positivo nas famílias de menor poder aquisitivo.
Debate eleitoral e justificativa do governo
A proximidade do anúncio do reajuste do Bolsa Família com o período eleitoral gerou questionamentos por parte de adversários do governo, que associaram a decisão ao período de campanha. Em contrapartida, o governo defende a medida como uma necessária recomposição inflacionária, baseada em critérios técnicos e na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) desde março de 2023. O decreto que oficializou a mudança especifica essa justificativa.
Detalhamento dos valores e impacto orçamentário
É importante ressaltar que o valor de R$ 691 é o piso garantido por família, mas o montante final pode ser superior. O Bolsa Família é composto por diferentes benefícios, como o Benefício de Renda de Cidadania (R$ 164 por integrante), o Benefício Primeira Infância (R$ 173 por criança de zero a sete anos incompletos) e o Benefício Variável Familiar (R$ 58 por integrante elegível). Essa estrutura permite que famílias com crianças ou adolescentes atendendo aos critérios recebam valores acima do piso.
O governo estima que a atualização do Bolsa Família terá um impacto orçamentário de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22,7 bilhões anualmente a partir de 2027. A atualização representa um alívio financeiro de R$ 91 mensais para quem recebia o valor mínimo de R$ 600, totalizando R$ 1.092 adicionais por ano, sem considerar alterações cadastrais ou na composição familiar.
Pagamento e consulta do Bolsa Família
O reajuste do Bolsa Família não altera o calendário de pagamentos, que continua organizado conforme o último dígito do NIS do responsável familiar. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) orienta os beneficiários a acompanharem os valores e informações pelos canais oficiais do programa e da Caixa Econômica Federal. A consulta pode ser feita online ou por aplicativos, e a manutenção da situação cadastral continua sendo crucial para o recebimento do benefício.




