Boato sobre Nossa Senhora Aparecida explode nas redes, gerando 181 mil comentários em 20 horas e dividindo opiniões
Uma notícia falsa (fake news) sobre o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e seu suposto apoio a uma proposta para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil, gerou uma onda de comentários nas redes sociais. Em apenas 20 horas, o assunto acumulou impressionantes 180.857 menções, com 139.677 perfis de usuários envolvidos e mais de 900 mil curtidas, segundo levantamento da Vox Radar, empresa especializada em monitoramento de redes sociais.
A polêmica, que rapidamente se espalhou, teve origem em um projeto legislativo antigo, de 2007, que propunha alterar o título de “Padroeira do Brasil” para “Padroeira dos brasileiros católicos”. Este projeto foi arquivado em 2008 e, embora não tenha relação direta com Flávio Bolsonaro, a informação foi divulgada incorretamente, levando a uma rápida disseminação do boato.
A notícia falsa ganhou força na noite de quinta-feira (24) e explodiu na manhã seguinte, atingindo seu pico às 14h de sexta-feira (25), com 33.643 comentários em apenas uma hora. A rápida viralização evidencia o poder das redes sociais na disseminação de informações, verdadeiras ou falsas, e sua capacidade de influenciar o debate público, especialmente em períodos eleitorais.
A Divisão nas Redes: Fé, Política e Desinformação
O levantamento da Vox Radar aponta que a conversa nas redes se concentrou em dois eixos principais: a tese de “fake news do PT” e o erro da divulgação pela imprensa, além da fé e do voto católico. Curiosamente, esses dois grupos de discussão raramente se misturavam, com aqueles que falavam de fake news desmentindo o boato, enquanto os que abordavam a fé tendiam a acreditar nele.
A análise da Vox Radar revelou que a posição sobre o boato estava fortemente ligada ao espectro político dos comentaristas. Na direita, a maioria (72%) desmentia o boato, com pouquíssimos acreditando. Já na esquerda, a maior parte (65%) acreditava na notícia falsa, com uma parcela menor desmentindo. O estudo concluiu que o boato serviu mais para reforçar convicções pré-existentes do que para mudar opiniões.
Entre os usuários sem um lado político identificado, um número significativo (44.712 comentários) mostrou divisões, com 32% acreditando no boato, 9% desmentindo e 33% sem se posicionar. Entre os que se declararam católicos, 47% acreditaram na informação falsa, enquanto 14% a desmentiram.
O Impacto Eleitoral e a Correção da Informação
Apesar da grande repercussão, a Vox Radar avalia que o dano eleitoral para Flávio Bolsonaro é limitado. O boato atingiu públicos como os “sem lado” e católicos, dominando as curtidas e sendo amplamente divulgado pela imprensa. No entanto, o senador negou veementemente o apoio à proposta, declarando respeito a todas as religiões e criticando a interferência do Estado na igreja.
A correção da notícia pela GloboNews e o desmentido de Flávio Bolsonaro tiveram alcance restrito, permanecendo, em grande parte, dentro de suas “bolhas” de audiência. O público católico foi um dos que menos recebeu o desmentido com força. O risco apontado pela Vox Radar reside no eleitor católico “sem lado”, que, embora não declare mudança de voto, pode ser influenciado por associações negativas com o candidato.
Ação Judicial e a Luta Contra a Desinformação
Diante da rápida disseminação do boato, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou que as plataformas Meta, X (antigo Twitter), TikTok e YouTube removam imediatamente as publicações relacionadas à narrativa falsa. A decisão reconhece a inveracidade de qualquer alegação sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro ou sua família na proposta de retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.
Este episódio reforça a necessidade de um olhar crítico sobre as informações que circulam nas redes sociais, especialmente em períodos eleitorais, e a importância da verificação de fatos para combater a desinformação e proteger o debate público.





