Black Friday: Um Duplo Grito de Alerta para o Comércio Brasileiro
A Black Friday, o evento comercial mais aguardado do ano, mais uma vez dividiu opiniões e gerou resultados contrastantes. Enquanto cifras bilionárias foram movimentadas, um coro de reclamações ecoou, alertando para práticas questionáveis por parte de alguns varejistas. A chamada “Black Fraude” se tornou um termo recorrente, evidenciando a frustração de consumidores que se sentiram enganados.
Apesar do aumento expressivo nas vendas, que atingiram um recorde histórico, a experiência de compra para muitos foi marcada por decepções. Desde a não entrega de produtos até o recebimento de itens avariados ou diferentes do prometido, os transtornos foram diversos. Essa dualidade entre sucesso financeiro e insatisfação do cliente levanta sérias questões sobre a ética e a transparência no varejo online.
O Procon de São Paulo, em resposta às denúncias, intensificou as investigações sobre grandes nomes do comércio eletrônico, incluindo o Magazine Luiza, por possíveis promoções falsas. A situação evidencia a necessidade de um olhar atento tanto por parte dos órgãos de defesa do consumidor quanto pelos próprios compradores. Conforme divulgado pelo ProconÚltimas Notícias, o período pós-Black Friday é sempre crítico para o comércio devido ao considerável volume de reclamações.
“Black Fraude”: A Realidade por Trás das Ofertas Milagrosas
O apelido “Black Fraude” não surgiu à toa. Muitas vezes, observa-se um reajuste prévio nos preços de diversos produtos ao longo do ano, especialmente em categorias como tecnologia, para que as ofertas da Black Friday pareçam mais vantajosas do que realmente são. Mesmo com equipes especializadas monitorando os valores, a economia esperada pelo consumidor nem sempre se concretiza, gerando um sentimento de frustração.
A discrepância entre a expectativa criada pelas promoções e a realidade encontrada pelos consumidores se manifestou em um aumento significativo de queixas. Plataformas como redes sociais, o Procon de São Paulo e o site Reclame Aqui foram inundados por reclamações direcionadas a grandes varejistas e e-commerces como Magalu, Amazon, Mercado Livre, Shopee, Casas Bahia e Americanas, impactando negativamente a reputação dessas empresas.
Procon-SP Registra Padrão de Queixas e Investiga Grandes Varejistas
O Procon de São Paulo registrou um alto volume de atendimentos entre os dias 24 e 28 de novembro, com uma média diária de 1.600 queixas. Os problemas mais recorrentes incluíram atraso na entrega, pedidos cancelados e o recebimento de produto ou serviço diferente do contratado. A descoberta de irregularidades na Black Friday do Magazine Luiza, por exemplo, gerou grande repercussão nas redes sociais, com milhares de curtidas e comentários.
Os dados parciais de atendimentos do Procon-SP demonstram um crescimento nas reclamações ao longo dos dias de maior movimento da Black Friday: 1.383 atendimentos em 25/11/2025, 1.533 em 26/11/2025, 1.695 em 27/11/2025 e um pico de 1.873 atendimentos em 28/11/2025. Esse padrão de queixas foi observado também em outras plataformas, como o Reclame Aqui, que reuniu milhares de reclamações com temas semelhantes.
Recorde de Vendas em Meio às Dificuldades Econômicas
Apesar do cenário de reclamações, a Black Friday deste ano registrou um faturamento recorde. Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgadas pelo InvestTalk, do Banco do Brasil, o evento movimentou cerca de R$ 5,4 bilhões apenas na sexta-feira, 28 de novembro, estabelecendo um novo marco histórico desde 2010. Este valor representa um crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.
O crescimento ocorreu mesmo diante de um contexto econômico desafiador, marcado por endividamento elevado das famílias, aumento da inadimplência e crédito mais caro. Estes fatores, segundo a CNC, limitaram o potencial de crescimento ainda maior do varejo. No entanto, alguns aspectos positivos contribuíram para impulsionar o setor, demonstrando a força do consumo em datas promocionais.
Setores que Lideraram o Faturamento e Dicas para o Consumidor Consciente
Estima-se que os setores de Eletrodomésticos, Moda e Eletrônicos tenham sido os maiores responsáveis pelo faturamento da Black Friday, respondendo por mais de 60% das vendas totais, embora os números oficiais ainda não tenham sido divulgados. Esses segmentos, que frequentemente atraem grande interesse durante promoções, continuam a ser pilares do comércio varejista.
Diante do aumento de irregularidades e reclamações, especialistas recomendam que os consumidores adotem estratégias de prevenção para garantir uma experiência de compra mais segura e satisfatória. Antes de comprar, é crucial pesquisar preços históricos e verificar a reputação da loja. Durante a compra, confira os dados do pedido e guarde todos os comprovantes. Após a compra, acompanhe o status da entrega e, em caso de problemas, registre a reclamação formalmente.




