A 30ª edição da Belo Horizonte Restaurant Week, que inicia nesta quinta-feira (22) e se estende até 22 de novembro, projeta uma movimentação de mais de R$ 7 milhões em vendas e a comercialização de cerca de 50 mil menus. Contudo, esses números indicam uma queda em relação à edição de abril, quando foram vendidos aproximadamente 60 mil menus, gerando uma receita estimada em R$ 9,5 milhões.
Fernando Reis, idealizador da Brasil Restaurant Week, explica que a redução de 16,6% no número de menus e de 26,3% no faturamento se deve principalmente à diminuição no número de estabelecimentos participantes. Enquanto a edição de abril contou com 50 restaurantes, a atual reúne 40 casas.
“A gente trabalha sempre com uma média de 1,2 mil menus por restaurante. Nesta edição, estamos com um pouco mais de 40 restaurantes. Por isso, a média é um pouco menor”, afirma Reis. A expectativa é que cerca de 40 mil pessoas visitem os restaurantes durante o festival, uma redução de 20% em comparação aos 50 mil visitantes de abril.
Reis também aponta uma retração no consumo geral, influenciada pelo cenário econômico e pelo calendário de eventos de 2026, mencionando o período pós-Copa do Mundo e as eleições como fatores que contribuíram para essa percepção. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, a queda no faturamento total é esperada, mas a Restaurant Week continua sendo uma vitrine importante para os restaurantes.
Aumento nas vendas para os estabelecimentos
Apesar da projeção de queda no faturamento geral do evento, a Restaurant Week segue como uma oportunidade crucial para os restaurantes atraírem novos clientes. A estimativa é que o festival impulsione as vendas dos estabelecimentos participantes em aproximadamente 40% durante o período.
“A Restaurant Week acaba atuando nas duas frentes. Ela contribui para a rentabilidade, mesmo o restaurante diminuindo um pouco o tíquete médio, além de impulsionar a visibilidade do estabelecimento por meio do marketing”, detalha Fernando Reis.
O modelo do festival permite que os restaurantes ofereçam menus completos, com entrada, prato principal e sobremesa, a preços fixos. As categorias variam conforme a proposta gastronômica: tradicional (R$ 59,90 almoço/R$ 74,90 jantar), plus (R$ 73,90 almoço/R$ 94,90 jantar) e premium (R$ 95 almoço/R$ 115 jantar).
Estratégia de custos e expansão para o interior
Para viabilizar o evento durante um mês, os restaurantes ajustam seus custos de produção, elaborando pratos específicos e otimizando ingredientes e margens para manter a competitividade sem prejudicar a operação. Eles conseguem trabalhar bem o chamado CMV (custo de mercadoria), diminuindo a margem para ganhar no volume de vendas.
Além dos custos de produção, os participantes pagam uma taxa de inscrição à organização, em torno de R$ 2 mil. A rentabilidade, no entanto, depende da estrutura e do desempenho de cada casa. A organização considera que o retorno compensa o investimento em marketing.
A capital mineira responde por cerca de 4% do faturamento nacional da Brasil Restaurant Week, estimado em R$ 400 milhões para 2026. As duas edições em BH devem somar aproximadamente 110 mil menus e R$ 16,5 milhões em receita.
Uberlândia como potencial polo de expansão
Embora a operação em Minas Gerais esteja concentrada em Belo Horizonte, a organização estuda a expansão para o interior do estado, com Uberlândia despontando como principal candidata. Ainda não há um cronograma definido para a chegada do festival à cidade.
A expansão depende do tamanho do mercado consumidor e da articulação com parceiros locais. A edição deste ano tem como tema “Brasil de Norte a Sul – Uma viagem gastronômica pelas cinco regiões do País”, incentivando chefs a criarem pratos inspirados na culinária brasileira.
O festival também mantém a opção de contribuição voluntária de R$ 2 por menu vendido para o Hospital da Baleia. O principal desafio, segundo Reis, é conciliar preços acessíveis com a pressão da inflação sobre os custos do setor de alimentação, buscando sempre oferecer o melhor benefício ao consumidor.




