Banco Master é liquidado pelo Banco Central e encerra operações; veja o que fazer
O Banco Central decretou a **liquidação extrajudicial do Banco Master**, marcando o fim oficial das atividades da instituição financeira. A medida foi tomada devido ao comprometimento da situação econômico-financeira do banco, incluindo deterioração da liquidez, infrações à legislação bancária e descumprimento de determinações da autoridade monetária. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada para conduzir o processo de encerramento, conforme publicado pelo Banco Central.
A liquidação extrajudicial é um procedimento drástico do Banco Central, aplicado quando uma instituição financeira se torna incapaz de operar de forma segura. O processo envolve a nomeação de um liquidante que assume o controle, encerra as operações, aliena os ativos e distribui os recursos aos credores seguindo a ordem legal. Ao final, a instituição é formalmente extinta.
Conforme apurado pelo Seu Crédito Digital, o Banco Master já vinha enfrentando riscos de falência há meses. A instituição apresentava **CDBs com rendimentos significativamente acima da média de mercado** e mantinha investimentos em precatórios e empresas com dificuldades financeiras. Essas práticas, aliadas a uma captação de recursos de alto custo, fragilizaram sua estrutura.
Situação Crítica e Investigações Criminais
As tentativas anteriores de venda do Banco Master fracassaram, em parte, pela resistência de órgãos reguladores e pelo surgimento de investigações criminais. A situação se agravou com a **prisão de Daniel Vorcaro**, figura ligada ao banco, em uma operação da Polícia Federal que apura a emissão de títulos de crédito falsos. A investigação, iniciada em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, busca esclarecer a existência de carteiras de crédito sem lastro, criadas para simular liquidez.
De acordo com os investigadores, títulos falsos foram adquiridos por outras instituições financeiras e posteriormente substituídos por ativos sem avaliação técnica adequada. Os crimes sob apuração incluem gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade ideológica e organização criminosa, evidenciando a gravidade das irregularidades.
Tentativas de Aquisição Frustradas
Antes da decretação da liquidação, o Banco Master esteve envolvido em negociações para sua aquisição. A Fictor Holding Financeira, um grupo de gestão com atuação em diversos setores, anunciou interesse em comprar a instituição, com apoio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, a proposta estava sujeita à aprovação do Banco Central e do Cade, e a liquidação suspendeu automaticamente qualquer negociação em andamento.
Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) havia anunciado a intenção de adquirir a participação majoritária do Banco Master. O acordo, que previa a incorporação de ativos e passivos, foi aprovado pelo Cade e pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Contudo, em setembro do mesmo ano, a diretoria do Banco Central **barrou a operação**, citando a falta de documentos que comprovassem a viabilidade econômica da aquisição, gerando descontentamento político e disputas judiciais.
O Que Acontece Agora com Clientes e Credores
Com a liquidação oficializada, todas as operações do Banco Master foram encerradas. Clientes e credores deverão aguardar o plano de liquidação, que será conduzido pela EFB Regimes Especiais. O objetivo principal é a venda dos ativos do banco para honrar as obrigações prioritárias e, posteriormente, proceder com o encerramento formal da instituição, seguindo as normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.
A liquidação de um banco de médio porte como o Master, embora não represente um risco sistêmico imediato para o sistema financeiro, serve como um **alerta sobre as práticas de governança e a fiscalização de instituições financeiras menores**. O caso também reabre o debate sobre a transparência em processos de fusão e aquisição no setor bancário, reforçando o papel crucial do Banco Central na fiscalização e estabilidade do mercado financeiro brasileiro.





