Argentina: PIB sobe 4,4% em 2025, mas sinais de desaceleração e aumento do desemprego preocupam analistas - Brasa Noticias

Argentina: PIB sobe 4,4% em 2025, mas sinais de desaceleração e aumento do desemprego preocupam analistas

Argentina apresenta crescimento econômico em 2025, mas com alerta de desaceleração e mercado de trabalho sob pressão

A economia argentina registrou um crescimento expressivo de 4,4% em 2025, um resultado que, à primeira vista, poderia indicar um cenário de forte recuperação. No entanto, uma análise mais aprofundada dos dados divulgados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) revela um cenário complexo, com sinais de perda de fôlego ao longo do ano e desafios persistentes no mercado de trabalho.

O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho do consumo privado, que avançou 7,9%, e pelas exportações, com alta de 7,6%. A formação bruta de capital fixo também contribuiu significativamente, com um aumento de 16,4%. Em contrapartida, o consumo público apresentou um crescimento modesto de apenas 0,2%.

Apesar do resultado anual positivo, a atividade econômica argentina perdeu ritmo nos trimestres finais de 2025. O quarto trimestre registrou um crescimento de 2,1% em comparação com o mesmo período de 2024, marcando a segunda desaceleração trimestral consecutiva e indicando uma tendência de arrefecimento.

Desemprego em alta e informalidade persistem apesar do crescimento do PIB

O cenário de crescimento anual contrasta com o aumento do desemprego no país. Em dezembro de 2025, a taxa atingiu 7,5%, o maior patamar para um quarto trimestre desde 2020, período marcado pela pandemia de Covid-19. Este dado levanta preocupações sobre a qualidade do crescimento e sua capacidade de gerar empregos formais.

Adicionalmente, a taxa de informalidade no mercado de trabalho permaneceu elevada, alcançando 43%. Isso significa que 5,8 milhões de argentinos trabalhavam em condições informais, um aumento de um ponto percentual em relação ao último trimestre de 2024. Um relatório do Cepa (Centro de Economia Política Argentina) aponta para uma queda significativa de 194.212 postos de trabalho assalariados no setor privado, uma redução de 3,1%.

Setores dinâmicos e setores em retração: uma economia de contrastes

A explicação para o crescimento do PIB em 2025, mesmo com a queda em empregos formais, reside nos setores que mais contribuíram para o avanço. A intermediação financeira liderou com um crescimento de 24,7%, seguida pela mineração (8,0%) e pela agricultura, pecuária, caça e silvicultura (6,2%).

Em contrapartida, outros setores importantes enfrentaram dificuldades. A pesca registrou uma queda acentuada de 15,2%, enquanto os serviços de residências privadas recuaram 1,1%. Serviços sociais, saúde e administração pública também apresentaram reduções em suas atividades, evidenciando uma dinâmica econômica de contrastes.

Perspectivas para 2026: cautela e desafios à frente

O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que o PIB a preços constantes atingiu um recorde histórico em 2025, superando em 1,1% a média de 2022, com 12 dos 16 setores de atividade mostrando crescimento em relação a 2024. No quarto trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,6% ajustado sazonalmente em comparação ao trimestre anterior, com exportações em alta de 5% e consumo privado de 1,7%, mas com queda de 1,0% no consumo público e de 2,8% na formação bruta de capital fixo.

As projeções para 2026 indicam cautela. A consultoria Equilibra prevê estabilidade na comparação anual para janeiro de 2026, com uma queda mensal de 0,8%, atribuída principalmente à retração na produção agrícola. O Índice Geral de Atividades apontou uma redução de 1% na comparação ano a ano em janeiro de 2026, com dificuldades em setores como comércio e manufatura, apesar do dinamismo da mineração.

Analistas alertam que, mesmo com um possível efeito estatístico positivo gerado pelo crescimento em dezembro, não se espera um crescimento elevado para o ano de 2026, com previsões abaixo de 3% ao ano. A recuperação sustentada da economia argentina dependerá de uma melhora na renda das famílias e de um impulso no crédito, mas enfrentará obstáculos como a demanda interna fraca, a estagnação salarial e a necessidade de ajustes fiscais contínuos.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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