Alexandre de Moraes se Defende de Acusações de Favorecimento ao Banco Master e Nega Vínculos Financeiros Diretos

Ministro Alexandre de Moraes nega veementemente ter favorecido o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, afirmando nunca ter atuado em processos envolvendo as partes.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, apresentou uma manifestação escrita em que rejeita as acusações de favorecimento ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Moraes sustenta que jamais julgou qualquer processo relacionado à instituição financeira ou ao ex-banqueiro, negando o uso de seu cargo para beneficiar quaisquer das partes envolvidas.
A defesa do ministro foi protocolada antes de uma sessão do STF que analisa desdobramentos de informações obtidas pela Polícia Federal. Essas informações incluem mensagens e documentos que apuram a contratação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, dirigido pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Conforme a manifestação de Moraes, a principal argumentação reside no fato de ele nunca ter exercido atividade jurisdicional em processos que envolvessem o Banco Master ou Daniel Vorcaro. Ele também assegura que o escritório de sua família não atuou em processos do banco ou do empresário no STF, e que a contratação se deu para prestação de serviços jurídicos e consultoria, sem sua participação direta nos trabalhos.
Atuação do escritório familiar e valores em debate
Moraes defendeu o direito de sua esposa e filhos, todos advogados, de exercerem suas profissões, reiterando que nunca atuou em processos conduzidos pelo escritório. Ele enfatiza que a atividade profissional de seus familiares deve ser avaliada sob as regras da advocacia e de conflitos de interesse.
Segundo a versão do ministro, o escritório foi contratado pelo Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 para consultoria e outras atividades jurídicas. Os serviços teriam sido formalizados e os pagamentos documentados por notas fiscais. Contudo, dados encaminhados à CPI do Crime Organizado indicam que o escritório recebeu aproximadamente R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, valor que chamou atenção na investigação.
Segundo contrato negado pelo ministro
Um ponto central da controvérsia é a alegação de um segundo contrato, envolvendo o escritório da família de Moraes e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. Relatórios da Polícia Federal sugerem que este acordo, firmado em maio de 2025, poderia alcançar R$ 50 milhões, prevendo serviços jurídicos por três anos e alternativas de pagamento, como participações em empresas de aeronaves.
Alexandre de Moraes, porém, classifica essas conclusões como falsas e nega a existência desse segundo vínculo contratual. Ele sustenta que houve apenas uma contratação efetivamente firmada com o Banco Master. O escritório explicou que uma nova proposta chegou a ser encaminhada, mas não foi aceita nem transformada em contrato, sendo o vínculo existente encerrado com a liquidação do banco.
Críticas à condução da investigação
Além de contestar os fatos, Moraes criticou a condução da apuração pelo ministro relator, André Mendonça. Ele acusou o relator de selecionar informações para construir uma narrativa contra ele, classificando a investigação como uma tentativa de atribuir condutas ilícitas sem considerar elementos que poderiam afastar tais conclusões.
A investigação da Polícia Federal, citada na manifestação, identificou documentos e metadados em um arquivo relacionado a uma minuta de contrato. As informações apontariam para um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável por alterações no documento. O escritório confirmou que Moraes analisou a minuta, mas justificou a ação como uma avaliação de compliance para verificar impedimentos jurídicos à contratação, concluindo que não havia restrições.
Os valores em disputa são significativos, com o primeiro contrato apontado pela investigação podendo representar cerca de R$ 131 milhões, enquanto os dados fiscais indicam pagamentos de R$ 80,2 milhões. O suposto segundo acordo questionado teria valor potencial de até R$ 50 milhões, mas sua existência é negada pelo ministro. Moraes ressalta que os valores atribuídos às diferentes relações contratuais não devem ser tratados como um único pagamento ou prova automática de irregularidade.