Alcolumbre articula com Lula por apoio à reeleição no Senado e governo pressiona por fim da 6×1

Lula e Alcolumbre intensificam diálogo em busca de acordos políticos e avanço de pautas no Congresso

Em um cenário de intensas negociações políticas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem buscado fortalecer sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo principal de Alcolumbre seria garantir o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) para sua possível reeleição à presidência da Casa em 2027. Essa reaproximação ocorre em um momento de tensão entre os Poderes, e o governo Lula, por sua vez, pressiona por celeridade na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1.

Embora Alcolumbre ainda não tenha verbalizado diretamente a Lula seu desejo de concorrer à reeleição, aliados do senador indicam que essa é a motivação por trás dos recentes encontros. A articulação visa assegurar o suporte do PT, um movimento que o governo Lula, segundo interlocutores, também considera estratégico para seus interesses. Novas reuniões entre os dois líderes são esperadas para esta semana, sinalizando a importância do diálogo.

A pauta do fim da escala 6×1 surge como um ponto crucial para a retomada da parceria entre Lula e Alcolumbre, que havia sido abalada em abril após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A cúpula política, incluindo o grupo bolsonarista que apoia a candidatura de Tereza Cristina (PP-MS) à presidência do Senado, vê no impasse da 6×1 uma oportunidade de criar divisões.

O impasse da escala 6×1 e a pressão governista

Apesar de dois encontros recentes focados em reconciliação, o acordo sobre a proposta trabalhista no Senado ainda não foi selado. Fontes indicam que o governo Lula insiste para que Alcolumbre pauta a matéria em plenário antes das eleições. No entanto, o presidente do Senado tem demonstrado resistência, alegando que os demais senadores não teriam interesse em votar o texto neste momento.

Aliados de Lula alertam que Alcolumbre pode arcar com um alto preço político se continuar travando pautas de interesse popular em ano eleitoral. Além do fim da escala 6×1, o governo prioriza a PEC da Segurança, que visa ampliar a atuação governamental no combate à criminalidade, e o projeto que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Ambas as propostas já foram aprovadas pela Câmara dos Deputados.

“É ruim o presidente Alcolumbre estar segurando essas pautas, porque fica sobre as suas responsabilidades, nas costas dele, né?”, comentou o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), após um almoço com Lula. Ele ressaltou que a paralisação dessas matérias é prejudicial tanto para o país quanto para a imagem do próprio senador.

Esforços de reconciliação e os bastidores da negociação

A relação entre o governo e Alcolumbre chegou a ser vista como uma aposta para pacificar o Congresso. Contudo, o cenário mudou após o presidente do Senado resistir à indicação de Jorge Messias ao STF, o que foi interpretado no Planalto como uma tentativa de usurpação do poder presidencial. Desde então, esforços de reconciliação têm sido realizados.

Em um jantar recente, Lula e Alcolumbre deram os primeiros passos para aparar as arestas, embora o clima ainda fosse de ressentimento por parte do presidente. Uma nova reunião, testemunhada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), e pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), demonstrou progresso. “A reunião foi muito positiva. Desde que assumimos, o presidente me deu a tarefa de destravar essas três pautas. Estou muito feliz em destravar a pauta. Nada está vetado, tudo pode ser debatido, e autonomia do Senado dirá como a Casa vai atuar”, afirmou Teresa Leitão.

José Guimarães relatou que Alcolumbre está “absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá”. Apesar do avanço, não houve compromissos formais sobre a reeleição de Alcolumbre nem sobre a votação imediata da 6×1. Lula deixou claro que as negociações podem ser feitas diretamente com a liderança do governo no Senado.

Estratégias para destravar pautas e o impacto eleitoral

Com o diálogo retomado, o governo acredita que Alcolumbre não tem mais justificativas para adiar a votação do fim da escala 6×1. A estratégia do Planalto é focar esforços na aprovação dessa e de outras pautas, argumentando que o recesso parlamentar terminou e há tempo hábil para deliberações.

A expectativa governista é que a proposta chegue à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nos próximos dias e seja votada na primeira semana de setembro. Apesar de Alcolumbre alegar resistência dos senadores, o governo vê a reunião com Lula como um passo decisivo, sinalizando que nenhuma matéria está vetada para debate.

Para aumentar a pressão, centrais sindicais planejam intensificar a mobilização popular. Lula pretende fazer da jornada de trabalho um tema central de campanha, explorando o fato de que o PL de Flávio Bolsonaro se opôs ao fim da escala 6×1, constrangendo a direita.

A tática governista é convencer Alcolumbre a resolver logo a questão da 6×1, evitando a repercussão negativa de manter a pauta represada, o que desgastaria a imagem do Senado. A narrativa sugere que uma alta renovação no Senado, impulsionada pela impopularidade da paralisação de pautas sociais, poderia ameaçar a própria recondução de Alcolumbre ao comando da Casa.

Questões anteriores envolvendo o STF e Jorge Messias foram deixadas de fora das discussões imediatas, reservadas para um momento posterior. Contudo, aliados de ambos os lados avaliam que a resistência de Alcolumbre à indicação do AGU diminuiu consideravelmente desde o início da crise.

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