Petrobras vê risco em mudança do preço de referência do petróleo e pode adiar projetos
A Petrobras sinalizou preocupação com a alteração no Preço de Referência (PR) do petróleo, aprovada pelo Congresso Nacional. A companhia avalia que essa mudança pode comprometer a viabilidade de importantes projetos e gerar pressão no fluxo de caixa.
A nova regra, inserida na Medida Provisória 1.304, conhecida como MP do setor elétrico, eleva a base de cálculo para royalties e Participação Especial. Isso resulta em um encarecimento das operações, em um cenário internacional de preços de petróleo mais baixos e custos de produção elevados.
Em entrevista, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a medida surge em um momento crítico para regiões produtoras que já enfrentam dificuldades financeiras e o envelhecimento de seus campos de exploração.
Risco de Colapso Econômico em Regiões Produtoras
Magda Chambriard alertou para o impacto severo da nova política de Preço de Referência. Ela mencionou o esforço da Petrobras em revitalizar a Bacia de Campos, que sofreu com a falta de investimentos anteriores. “Se não houver compreensão regulatória, o Norte Fluminense pode virar uma Detroit”, afirmou, fazendo um paralelo com a cidade americana que enfrentou falência após décadas de dependência da indústria automobilística.
A executiva explicou que, caso o PR mais alto não seja vetado, projetos com menor rentabilidade, como os de campos maduros e operações em terra, podem se tornar economicamente inviáveis. Essa decisão impactaria diretamente a continuidade de atividades essenciais para a geração de empregos locais.
Adiamento de Projetos Estratégicos da Petrobras
Diante desse cenário, a Petrobras cogita adiar projetos de grande relevância. O próximo Plano de Negócios, que cobrirá o período de 2026 a 2030, pode postergar a revitalização da Bacia de Campos e o projeto Sergipe Águas Profundas (Seap) para após 2030. Essa postergação reflete a incerteza gerada pela nova política de precificação e seus efeitos na rentabilidade.
Análise Econômica: Diversificação é a Chave para a Sustentabilidade
O economista VanDyck Silveira, em análise no programa da BM&C News, ressaltou que a discussão sobre o Preço de Referência expõe um problema estrutural. Regiões que dependem excessivamente do petróleo precisam desenvolver alternativas econômicas para garantir seu crescimento a longo prazo. “O que está em risco é repetir o ciclo de regiões que viveram décadas dependendo de uma única indústria, como Detroit, e depois colapsaram quando a base econômica se esgotou”, ponderou.
Silveira enfatizou que a sustentabilidade de uma região não depende apenas do preço de referência do petróleo, mas sim de sua diversificação econômica, produtividade e capacidade de atrair novos investimentos. Ele alertou que o aumento do PR para gerar arrecadação imediata pode prejudicar a continuidade de projetos de menor margem, que são fundamentais para a manutenção de empregos locais.
Políticas Públicas e Realidade Econômica
O economista também criticou a utilização da Petrobras como ferramenta para equilibrar desequilíbrios regionais ou atender agendas políticas. Segundo ele, tais decisões criam distorções que inviabilizam projetos e fragilizam toda a cadeia produtiva. “Aumentar o PR num momento de custos altos e petróleo barato é desconectar a política pública da realidade econômica”, concluiu.
Essa desconexão, de acordo com Silveira, gera insegurança, adia investimentos e pode levar regiões produtoras a um caminho semelhante ao de Detroit, marcado pela dependência excessiva de um único setor e pela ausência de planejamento de longo prazo.





