Dólar oscila em margens estreitas e fecha abaixo dos R$ 5,40, impulsionado por sinais de corte de juros nos EUA e com atenção à inflação brasileira.
O dólar americano encerrou a segunda-feira (24) cotado a R$ 5,3951, registrando uma leve baixa de 0,13%. A moeda norte-americana operou em margens estreitas durante o dia, refletindo um cenário de maior otimismo em relação a moedas de mercados emergentes.
No ano, o dólar acumula perdas significativas de 12,69% frente ao real. Esse movimento é influenciado por diversos fatores econômicos globais e domésticos, que continuam a moldar a trajetória da divisa no mercado brasileiro.
A principal força motriz por trás dessa desvalorização do dólar tem sido a crescente expectativa de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, inicie um ciclo de cortes em sua taxa básica de juros ainda em dezembro. Essa perspectiva, conforme informações da Reuters, tem reduzido a atratividade da moeda americana em escala global.
Mercado Aposta em Corte de Juros nos EUA
As apostas do mercado financeiro de que o Federal Reserve cortará os juros em dezembro voltaram a ganhar força na última sexta-feira. A ferramenta CME FedWatch indicava, nesta segunda-feira, uma probabilidade de 80,9% para um corte de 25 pontos-base na taxa de juros americana, que atualmente se encontra na faixa de 3,75% a 4,00%.
Essa perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos tende a diminuir o fluxo de capital para ativos dolarizados, tornando outras moedas, como o real brasileiro, mais atraentes para investidores. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, também apresentava leve queda, evidenciando um apetite global por risco.
Banco Central Brasileiro Mantém Cautela com Inflação
Apesar do cenário externo favorável, o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sinalizou que a diretoria da instituição ainda está insatisfeita com o nível da inflação no país. Segundo ele, a inflação ainda não convergiu para a meta de 3%, o que justifica a manutenção dos juros em patamar restritivo.
Galípolo destacou que existe um “custo, um trade-off” para acelerar a convergência da inflação, indicando que o Banco Central busca um equilíbrio entre o controle de preços e os impactos sobre a atividade econômica. A taxa Selic está atualmente em 15% ao ano.
Diferencial de Juros e Projeções Econômicas
O diferencial entre a taxa de juros brasileira (Selic) e a taxa americana tem sido um fator importante para a atração de investimentos estrangeiros para o Brasil, contribuindo para a valorização do real. Esse diferencial, no entanto, pode ser reduzido caso os juros nos EUA caiam mais acentuadamente.
O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, manteve a projeção do dólar para o fim de 2024 em R$ 5,40. As projeções para a Selic no fim de 2025 permaneceram em 15%, mas para o fim de 2026, a mediana das expectativas cedeu de 12,25% para 12,00%.
Intervenção do Banco Central no Mercado
Na manhã desta segunda-feira, o Banco Central do Brasil realizou dois leilões de linha, com a venda total de US$ 2,0 bilhões. O objetivo dessas operações foi a rolagem de vencimentos de contratos futuros de dólar, demonstrando uma atuação ativa para gerenciar a liquidez e a estabilidade cambial no país.





