Mercado de Milho em Chicago Retoma Força em Novembro Após Perdas Significativas em Outubro
O mercado internacional do milho iniciou novembro com uma recuperação notável na Bolsa de Chicago (CBOT). Após um outubro de perdas expressivas, que chegaram a superar 10% em alguns contratos, o cereal voltou a atrair compradores. Esse movimento de recuperação técnica fez com que o vencimento dezembro ultrapassasse novamente a marca de US$ 4,50 por bushel.
Contudo, analistas alertam que essa valorização ainda não configura uma mudança consolidada na tendência de mercado. A persistente expectativa de uma oferta abundante nos Estados Unidos, o ritmo das exportações e a acirrada concorrência entre os principais países produtores de milho continuam atuando como freios para um avanço mais expressivo dos preços.
Para o Brasil, as dinâmicas do mercado internacional são cruciais, pois elas moldam as referências utilizadas na comercialização do milho em território nacional. No entanto, a cotação doméstica do grão também é fortemente influenciada pelo valor do dólar, pelos custos logísticos, pelos níveis de estoque em cada região e pela demanda das indústrias de ração e etanol.
Conforme informação divulgada pela Reuters, na manhã desta segunda-feira, 2 de novembro, os contratos futuros de milho operavam em alta na CBOT. Por volta das 9h05, no horário de Brasília, as principais posições registravam valores significativos, refletindo o otimismo momentâneo do mercado.
Recuperação Técnica Impulsiona Contratos de Milho na CBOT
A recuperação observada no início de novembro chamou a atenção, especialmente após um período de desvalorização acentuada. O contrato com vencimento em dezembro, por exemplo, que havia encerrado setembro cotado a US$ 5,0075 por bushel, terminou o mês de outubro em US$ 4,4775. Isso representa uma retração de aproximadamente 10,58% em apenas um mês.
Os vencimentos de março e maio de 2027 também acumularam perdas superiores a 10%, enquanto o contrato de julho registrou uma queda de 9,81%. Nesse contexto, parte dos investidores viu a oportunidade de aproveitar os preços mais baixos para recompor suas posições compradas, o que favoreceu a valorização inicial de novembro.
Colheita nos EUA e Ritmo das Exportações Moldam o Cenário do Milho
Um dos principais fatores que ditam a direção dos preços internacionais do milho é o avanço da colheita norte-americana. Os Estados Unidos são um dos maiores produtores e exportadores globais de milho, o que torna as condições das lavouras um elemento de influência direta nas negociações em Chicago. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 25 de outubro, 60% da área cultivada de milho já havia sido colhida, um avanço em relação aos 44% registrados na semana anterior.
Apesar da aceleração dos trabalhos de campo, o índice de colheita permanecia abaixo da média histórica para o período, que é de 66%. Essa diferença mantém o clima como um ponto de atenção para os investidores, especialmente diante das previsões de chuvas para importantes regiões produtoras do Meio-Oeste americano. Chuvas excessivas podem prejudicar a entrada de máquinas e atrasar a retirada dos grãos, embora uma parcela significativa da produção já esteja colhida.
O mercado também aguardava a divulgação de uma nova atualização do relatório Crop Progress, que traria informações sobre o avanço da colheita até 1º de novembro, oferecendo um panorama mais detalhado sobre a oferta potencial. A demanda internacional, por sua vez, mostrou sinais mistos. As vendas líquidas de milho dos EUA para a temporada 2026/27, na semana encerrada em 22 de outubro, totalizaram 1,303 milhão de toneladas, uma redução de 15% em relação à semana anterior, mas 32% acima da média das últimas quatro semanas.
Competição Brasil-Argentina x EUA e Impacto no Preço Doméstico
A competitividade entre os países exportadores de milho também desempenha um papel fundamental na formação dos preços futuros. O Brasil e a Argentina são players importantes no comércio internacional e frequentemente disputam compradores com os Estados Unidos. Quando o milho sul-americano apresenta condições comerciais mais atraentes, os importadores podem diversificar suas fontes de suprimento.
Nesse cenário competitivo, os exportadores americanos são pressionados a ajustar preços e diferenciais comerciais para manter sua participação de mercado. Para os produtores brasileiros, essa dinâmica é relevante, pois mesmo em momentos de alta em Chicago, a existência de milho competitivo na América do Sul pode limitar o repasse integral dessa valorização para os preços negociados internamente no Brasil.
É importante ressaltar que a cotação internacional é apenas uma das referências para o preço do milho no Brasil. O mercado doméstico leva em consideração também a taxa de câmbio, os prêmios de exportação e a disponibilidade regional do produto. Um dólar mais valorizado em relação ao real, por exemplo, pode impulsionar as exportações e melhorar as referências de preço em certas regiões produtoras.
Adicionalmente, a demanda de fábricas de ração, produtores de proteína animal e usinas de etanol de milho exerce forte influência nas negociações internas. Em regiões com alta concentração dessas indústrias, a procura pelo cereal pode sustentar os valores, mesmo quando as referências internacionais estão sob pressão. A diferença entre os preços futuros em Chicago e o mercado físico brasileiro também é um fator a ser observado, indicando que uma alta na CBOT não se traduz imediatamente em pagamentos maiores para o produtor pelo milho disponível.




