Desenrola 3.0 avança com compra de carteiras de dívidas e descontos de até 97%
O programa Desenrola 3.0 está prestes a entrar em uma nova fase, com a participação ativa de bancos, seguradoras e fundos de investimento. O governo federal busca adquirir carteiras de dívidas com descontos significativos, ampliando as oportunidades de renegociação para milhões de brasileiros endividados e aliviando o peso das contas atrasadas no orçamento familiar. A iniciativa visa oferecer um caminho mais acessível para a quitação de débitos.
As instituições financeiras interessadas têm até 30 de outubro para manifestar seu interesse e fornecer informações detalhadas sobre as dívidas que poderão ser incluídas no programa. O processo de seleção das carteiras está previsto para o final de novembro ou início de dezembro, com a aquisição efetiva das dívidas pelo governo programada para ocorrer em 2027. O objetivo é recuperar parte dos valores em atraso e proporcionar um recomeço financeiro.
Conforme anunciado, a proposta do Desenrola 3.0 prevê descontos de, no mínimo, 90% sobre o valor das carteiras de dívidas adquiridas pela União. Em algumas circunstâncias, o abatimento pode ser ainda maior, alcançando 95%, 96% ou até 97%, dependendo da competição entre os credores e das exigências do edital. É importante ressaltar, contudo, que esses percentuais de desconto não se traduzem automaticamente no valor que cada consumidor pagará, pois a renegociação terá suas próprias regras.
Como o Desenrola 3.0 vai funcionar nesta nova etapa?
A grande novidade desta versão do Desenrola 3.0 reside na forma como os débitos serão adquiridos. Em vez de depender exclusivamente de acordos diretos entre consumidores e bancos, o governo atuará comprando lotes de dívidas selecionadas com descontos substanciais. Após a aquisição, a União assumirá a responsabilidade pela cobrança dos valores renegociados, seguindo as condições específicas estabelecidas pelo programa. Os consumidores terão a opção de quitar o débito à vista ou parcelar o pagamento, conforme as regras que serão divulgadas.
O programa estabelece um limite de até R$ 15 bilhões para a compra dessas carteiras durante sua vigência, que se estende até junho de 2028. O governo tem a possibilidade de realizar novas rodadas de aquisição, ampliando o volume de dívidas contempladas e, futuramente, incluindo débitos de outras naturezas, como dívidas não bancárias. A iniciativa busca não apenas recuperar valores em atraso, mas também aliviar o comprometimento da renda de pessoas físicas e pequenos empreendedores.
Quais dívidas poderão ser incluídas no Desenrola 3.0?
A primeira rodada do Desenrola 3.0 foi estruturada para abranger operações de crédito financeiro com atraso prolongado. A inclusão de uma dívida não será automática, sendo necessário que os débitos atendam aos critérios estabelecidos pelo programa e sejam parte das carteiras selecionadas no processo de compra. Entre as condições previstas estão dívidas com valor original inferior a R$ 10 mil e com atraso superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, contando a partir de 25 de setembro de 2026. Contas atrasadas de cartão de crédito, por exemplo, podem se qualificar, mas a inclusão dependerá da seleção da carteira e das condições de renegociação.
Por que o governo busca descontos tão expressivos?
O Ministério da Fazenda estima que os credores possam apresentar cerca de R$ 90 bilhões em dívidas na primeira etapa do Desenrola 3.0. Com um desconto mínimo de 90% para a venda das carteiras, a aquisição total desse volume custaria, teoricamente, até R$ 9 bilhões. No entanto, o governo não tem a obrigação de comprar todas as dívidas apresentadas, priorizando a seleção com base nos recursos disponíveis e nas condições mais vantajosas oferecidas pelas instituições. A concorrência entre os credores pode, inclusive, elevar os descontos exigidos, tornando a aquisição ainda mais vantajosa para o programa.
Por exemplo, se uma carteira de dívidas com valor original de R$ 5 mil for adquirida com um desconto de 90%, o custo para o governo seria de R$ 500. Com um desconto de 95%, esse valor cairia para R$ 250. É crucial entender que esses valores representam o custo de aquisição da carteira pelo governo, e não necessariamente o montante final que o consumidor pagará pela sua dívida renegociada, cujas condições específicas serão divulgadas posteriormente.




