Split Payment: Comércio Alerta Para 'Mega Problema' no Capital de Giro e Crise no Caixa das Empresas - Brasa Noticias

Split Payment: Comércio Alerta Para ‘Mega Problema’ no Capital de Giro e Crise no Caixa das Empresas

Debate eleitoral expõe temor do varejo com split payment e seu impacto no fluxo de caixa empresarial.

O mecanismo do split payment, previsto na reforma tributária para separar e recolher impostos automaticamente no momento da transação, tornou-se um ponto de atrito no debate eleitoral. Empresários do comércio e especialistas em tributação expressam forte preocupação com a possibilidade de o sistema reduzir o capital de giro das empresas ao antecipar o repasse de tributos ao Fisco.

A crítica central reside na diminuição do fôlego de caixa das companhias. Tradicionalmente, as empresas contam com um prazo, que pode variar de 15 a 90 dias, entre a venda de um produto ou serviço e o recolhimento efetivo dos impostos devidos. Esse período, em que o imposto permanece temporariamente no caixa, é crucial para a manutenção das operações.

O split payment, com previsão de funcionamento a partir de 2027, alteraria essa dinâmica. A parcela do tributo seria destacada e transferida ao governo no ato do pagamento, encurtando significativamente o prazo. Críticos alertam que isso pode forçar as empresas a recorrerem a crédito bancário em um cenário de juros ainda elevados, como a Selic a 13,75% ao ano.

Conforme informação divulgada pelo Estadão Conteúdo, o assessor econômico da FecomércioSP, Fábio Pina, classifica o split payment como um “mega problema” que pressionará o capital de giro. Ele argumenta que a antecipação do recolhimento “haveria pressão no capital de giro e corrida a crédito bancário”, criticando o que chama de controle “abusivo”.

Críticas e Defesas do Split Payment no Cenário Político

A discussão sobre o impacto do split payment ganhou força recentemente. A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou que um eventual governo do candidato extinguiria o instrumento por “asfixiar o capital de giro do pequeno”. Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o mecanismo, argumentando que ser contra ele é “favorecer quem frauda”, pois fecharia o cerco contra empresas “noteiras” e reduziria a sonegação.

Flávio Bolsonaro reiterou sua posição, declarando que a ferramenta “inviabiliza o capital de giro para as empresas”. Por outro lado, o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR), um dos idealizadores da reforma tributária, relativizou a possibilidade de revogação, sustentando que o split payment é essencial para viabilizar o novo IVA, especialmente o modelo de “crédito financeiro”.

Implementação Gradual e Preocupações com Pequenas e Médias Empresas

Hauly sugere que a principal preocupação da campanha de Bolsonaro recai sobre as operações com o consumidor final (B2C), enquanto a reforma prevê uma implementação inicial focada em transações entre empresas (B2B). O pagamento fracionado terá início de forma opcional e faseada no segundo semestre de 2027, restrito a transações B2B.

A obrigatoriedade geral foi adiada pela Receita Federal para 2028, visando dar tempo para adaptação tecnológica de bancos e instituições de pagamento. Durigan assegurou que o governo está disposto a ouvir os empresários e discutir ajustes e prazos, mas não indicou intenção de abandonar a proposta, enfatizando que o split payment vai acabar com a sonegação.

Desafios Tecnológicos e Custos Adicionais para o Setor

O presidente da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (Abat), Halley Henares Neto, aponta riscos significativos, incluindo desafios tecnológicos e a necessidade de aprendizado com a experiência internacional. Ele ressalta que o sistema “não é um sistema de fácil implementação” e que os custos associados aos meios de pagamento e instituições financeiras “obviamente vão repassar esse custo para o contribuinte”.

Henares Neto também alerta que o split payment tende a retirar capital de giro, especialmente de pequenas e médias empresas, que hoje se beneficiam do prazo entre o recebimento e o recolhimento do tributo. O economista-chefe da Reach Capital, Igor Barenboin, corrobora essa visão, alertando para o potencial de encarecer o crédito para companhias menores e mais dependentes de capital de giro bancário.

O Que é o Split Payment e Como Funciona?

O split payment, ou pagamento fracionado, é um mecanismo que, em sua essência, separa a parcela do imposto devido no momento exato de uma transação comercial. Ao invés de o valor total da venda ser repassado ao vendedor, uma parte correspondente aos tributos é diretamente transferida ao Fisco. Isso visa garantir o recolhimento imediato e combater a sonegação fiscal, um problema crônico no Brasil.

A ideia é que, no momento em que um cliente paga por um produto ou serviço, o sistema bancário ou a plataforma de pagamento identifique a alíquota de imposto incidente e envie essa quantia diretamente para o governo. O valor restante, após a dedução do imposto, é então creditado à conta do vendedor. A proposta é que este sistema, inicialmente facultativo e restrito a transações B2B, se torne obrigatório gradualmente.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

Welbert Lucas is a talented writer for Brasa Noticias with a passion for movies, video games, and pop culture. This passion shines through in his work, where he combines his writing skills with extensive knowledge of these fields. With an engaging and creative writing style, Welbert transports readers into cinematic universes, virtual adventures, and settings rich in cultural references. Beyond his writing talent, he is a true enthusiast who stays up-to-date with the latest developments in the entertainment industry. Whether through film reviews, game analyses, or pop culture articles, Welbert Lucas delivers quality content that entertains and informs Brasa Noticias readers in a unique and passionate way.

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