Flávio Bolsonaro descarta privatização da Petrobras e aponta “boataria” contra sua campanha eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, negou veementemente os rumores sobre a intenção de privatizar a Petrobras e outras estatais caso seja eleito. Ele classificou a onda de especulações como uma estratégia para reverter a liderança que obteve no primeiro turno das eleições presidenciais.
“Isso é uma boataria, é uma boataria atrás da outra”, declarou Flávio Bolsonaro a jornalistas, à margem de um encontro com apoiadores e empresários no Rio de Janeiro. O senador venceu o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, superando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição e obteve 45,16%. Pesquisas recentes indicam que Flávio Bolsonaro mantém a dianteira antes do segundo turno, marcado para o dia 25 deste mês.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de mudanças na gestão da Petrobras, caso eleito, o candidato do PL ressaltou que o primeiro passo seria a mudança da presidência da República. Durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, diversas operações de venda de ativos da Petrobras, como refinarias, foram realizadas, gerando interpretações de que visavam enfraquecer a empresa para uma eventual privatização.
Críticas aos subsídios de combustíveis e acusações contra o governo atual
Flávio Bolsonaro também direcionou críticas ao atual governo, acusando-o de preparar uma “bomba” para os consumidores brasileiros por meio de programas de subsídio, subvenção e desoneração de combustíveis. Ele mencionou especificamente a ampliação dessas medidas para diesel, gasolina e etanol por 30 dias, anunciada pelo governo na sexta-feira.
O governo, por sua vez, alega que tais iniciativas são necessárias para mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio, que tem afetado os preços do petróleo e seus derivados. Contudo, Flávio Bolsonaro argumentou que a decisão de Lula de conceder um subsídio de R$ 2 no preço do diesel, que expiraria no dia seguinte à eleição, demonstra a irresponsabilidade fiscal do governo.
“O atual governo, muita gente não percebeu ainda, qual é a outra bomba que ele vai jogar no consumidor, quem usa moto, carros e caminhoneiros. O Lula pela Petrobras deu um subsídio de 2 reais no preço do diesel. Ele acaba no dia seguinte à eleição. É isso que esse governo irresponsável está fazendo”, afirmou o senador.
Ministério da Fazenda nega relação eleitoral para prorrogação de medidas
Em resposta às críticas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em coletiva de imprensa em Brasília, negou que a prorrogação das medidas de subsídio e desoneração tenha qualquer relação com o período eleitoral. Ele reiterou que a pressão nos preços internacionais do petróleo, com o Brent operando próximo a US$ 104, acima dos US$ 70 pré-conflito no Oriente Médio, justifica a manutenção das ações governamentais.
A declaração de Flávio Bolsonaro surge em um contexto de intensa disputa eleitoral, onde temas como a gestão das estatais e a política de preços de combustíveis ganham destaque. A desmentida sobre a privatização da Petrobras busca acalmar preocupações de setores que defendem a estatal como patrimônio nacional.
Enquanto isso, a discussão sobre a responsabilidade fiscal e o impacto das medidas de subsídio no orçamento público continua em pauta. A posição do governo, defendida pelo Ministério da Fazenda, foca na necessidade de estabilizar os preços em um cenário internacional volátil, enquanto o candidato Flávio Bolsonaro aponta para o que considera ser uma gestão irresponsável com o dinheiro público, especialmente em período eleitoral.
A polêmica em torno da Petrobras e das políticas de combustíveis reflete as diferentes visões econômicas que marcam a atual campanha presidencial. A população acompanha atentamente as propostas e os argumentos de cada lado, buscando formar sua decisão para o segundo turno.




